A vida rural e a mulher angolana

Por Afonso Cavalcanti Fernandes, assessor político-pedagógico da Diaconia

Em nossa formação de pedreiros para construção de cisternas calçadão, é de impressionar o interesse e a dedicação das mulheres angolanas da Tunda, no município dos Gambos. Elas limparam o terreno para o calçadão, ajudaram na preparação dos traços de argamassa, transportaram água, alimentaram os participantes durantes todos os dias da formação e ainda encontraram tempo para acompanhar todas as etapas de construção da cisterna: tomada do nível da escavação, preparação do piso (fundo da cisterna) e assentamento das placas.

Em relação as placas, elas não se contentaram só em olhar: decidiram bater as placas e demonstraram muita habilidade. Detalhe importante é a paciência dos jovens pedreiros, auxiliando as “mamas curiosas”.

O dia a dia da resistente mulher angolana é a primeira coisa a chamar atenção de qualquer pessoa estrangeira ao chegar em Angola: sempre a transportar algo sobre a cabeça e um bebê às costas, seja quando estão vendendo, caminhando nas estradas ou transportando lenha. Este cenário traz reflexões, inclusive, para as questões de justiça de gênero e divisão do trabalho com equidade entre homens e mulheres, que ainda não fazem parte da realidade de nossas culturas.

Além da resistência, a capacidade de interação delas é formidável: posso afirmar que nunca vi igual. Creio que as próximas formações deste intercâmbio para construção de cisternas têm que contar com a maior participação das mulheres. Disposição não lhes falta, a habilidade está comprovada. E a necessidade de contribuir com o bem-estar da família parece estar em primeiro plano para essa guerreira angolana.

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