Adolescência e Juventude pelo Direito de Viver

Por Kezzia Cristina, Assessora Político-Pedagógica da Diaconia em Fortaleza

Imagem: Maíra Gamarra

Mais uma vez, a alta mortalidade de adolescentes e jovens nas periferias do estado do Ceará entram em pauta. Após uma ampla pesquisa iniciada no ano passado, o Comitê Cearense pela Prevenção de Homicídios na Adolescência, instituído em 2016 na Assembleia Legislativa do Estado do Ceará, apresentou um denso relatório desvelando cenários e contextos, onde as famílias de adolescentes vítimas de homicídio vivem e convivem diariamente, com a negação dos seus diretos fundamentais e total abandono do Estado.

Lugares ermos, onde há ausência de escolas públicas e creches com qualidade, praça pública devidamente equipada para o lazer, unidades de saúde e saneamento básico. Lugares onde o comando do tráfico de drogas chega com muita facilidade, e atrai crianças, adolescentes e jovens para a dita “vida louca”, e também a total ausência de Segurança Pública, compõem o cenário de morte.

Esses cenários não são novidade para as Organizações da Sociedade Civil. Na verdade, é o cotidiano dos nossos trabalhos, na tentativa de reduzir os danos sofridos pelas famílias, promovendo espaços de convivência para adolescentes e jovens em suas comunidades, através de rodas de diálogo para o empoderamento, conhecendo seus direitos, bem como a tentativa de juntos e juntas elucidarmos possíveis caminhos para construir uma vida digna.

Ao longo de 2016, o Comitê circulou por diversas comunidades no Ceará, dentre elas o bairro do Jangurussu, onde a Diaconia tem atuação (Imagem: Wilton Bandeira)

De 2011 a 2015, 4.470 adolescentes de 10 a 19 anos foram mortos no território cearense. “Queremos reafirmar a ideia de que o adolescente não fez por onde morrer. A morte começa no abandono, e é preciso superar isso”, ressaltou o relator do Comitê, deputado Renato Roseno (PSOL), que apresentou aos prefeitos um resumo dos dados e evidências do relatório.

Ao todo, o grupo de 26 pesquisadoras/es elaborou 12 Recomendações De Prevenção Ao Homicídio Na Adolescência, apresentando no último dia 02 a prefeitos e prefeitas das cidades do Ceará. Ao menos 10 destas recomendações estão relacionadas às competências das gestões municipais.

Apresentação do Relatório a prefeitos e prefeitas (Imagem: APRECE)

Nós da sociedade civil, marcamos presença neste momento, no qual infelizmente não houve nenhum pronunciamento de acordos por parte do prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, para que se pensem programas e/ou estratégias de implementação das políticas públicas nessas comunidades, na prevenção dos homicídios. Em audiência pública, o prefeito se limitou a comentar os dados relatados, tornando o momento redundante. Assim, continuaremos na tarefa de articular, mobilizar e capacitar adolescentes, famílias, lideranças comunitárias e igrejas, para que continuem lutando por seus diretos, principalmente o direito de viver.

Confira e baixe gratuitamente o Relatório: https://www.al.ce.gov.br/phocadownload/relatorio_final.pdf

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