Grupo de mulheres gera renda com a colheita e beneficiamento do Umbu

Por Carlos Henrique Silva, assessor de comunicação da Diaconia

O grupo de mulheres aprendeu a não desperdiçar as frutas e hoje produz polpas

Batizado pelo escritor Euclides da Cunha (1866–1909) como a “árvore sagrada do Sertão”, o umbuzeiro corre risco de extinção na sua terra natal, o Semiárido brasileiro. Mas no município de Tabira, no Sertão do Pajeú (PE), a comunidade de Cachoeira Grande vive uma realidade diferente: o local, marcado por mais de 500 umbuzeiros nativos, convivia todos os anos com o desperdício das frutas nos períodos de safra.

Foi quando um grupo de seis agricultoras fez a diferença no resgate da cultura do umbu e na geração de renda, e hoje estão colhendo, armazenando e comercializando polpas e doces, sem dar vencimento à produção. Com o apoio da Diaconia, elas participaram de intercâmbios e capacitações em beneficiamento de polpas, e começaram a aproveitar também outras frutas: umbu-cajá, acerola, goiaba, manga, caju e graviola.

Durante a colheita, nos primeiros meses do ano, as mulheres saem pelas propriedades catando os frutos: “a gente não mede distância: onde tem umbu, estamos indo procurar, e todo mundo da vizinhança já conhece”, lembra Celiana Rufino. As polpas são vendidas na comunidade e nas feiras, e o grupo também tem parceria com a prefeitura de Tabira e o Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), através dos programas de Aquisição de Alimentos (PAA) e Alimentação Escolar (PNAE).

“Antes a gente dependia dos maridos ou do Bolsa Família pra tudo, e hoje conseguimos complementar a renda de casa; somos mulheres independentes”, comemora Dilma Bezerra. Atualmente, elas conseguem beneficiar aproximadamente 4.100 Kg de polpas por ano. Os homens incentivam e também ajudam na comercialização.

Rosinalda Santana (Rosa) também celebra suas conquistas: “Esse fim de ano eu consegui pintar minha casa com tinta pela primeira vez, e agora tá uma beleza. Agora quero fazer uma reforma e também construir um banheiro, se Deus quiser”.

“Falavam que isso era serviço pra mulher que não tinha o que fazer, e hoje muitas mulheres estão ansiosas pra entrarem no grupo, acreditando que a gente conseguiu vencer”, afirma Rosa. A comunidade tem recebido estudantes para conhecerem o trabalho e verem de perto as transformações, trazidas pela preservação de uma planta que só cresce na Caatinga, paisagem exclusivamente brasileira.

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