Juventude negra fortalece protagonismo e autonomia no Ceará

Diaconia
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Jul 25, 2017 · 3 min read

Por Carlos Henrique Silva (assessor de comunicação da Diaconia), com colaboração de Gilvan de Souza (ator profissional e educador do CUAN)

Um passo à frente na autonomia e participação social da juventude: assim se pode descrever a celebração da formalização do Centro Ubuntu de Arte Negra (CUAN), no bairro do Pici, periferia de Fortaleza (CE).

O grupo, que foi apoiado pela Diaconia durante seis anos enquanto Coletivo de Culturas Juvenis (CCJ), aperfeiçoou sua atuação e se tornou uma organização social atuante no campo das linguagens do teatro e da música percussiva, adotando a Ancestralidade Africana e afrodescendente como principal referência (filosófica, política e estético-criativa) em prol do desenvolvimento da arte-educação, da produção cultural, do desenvolvimento sustentável e do empreendedorismo criativo.

José Soares, arte-educador do CUAN, destaca a articulação do coletivo com os mais diversos espaços: “Estamos inseridos em universidades, escolas, Centros Culturais municipais e estaduais. A perspectiva é alcançar crianças, adolescentes e jovens com dança, atuação e contação de história uma linguagem popular, o que com certeza contribui para o desenvolvimento das nossas comunidades”, afirma José.

Algumas das atividades desenvolvidas pelo grupo: montagem de peças teatrais, animação de festas, oficinas de música percussiva e contação de histórias (Fotos: Acervo CUAN)

Dentre os projetos já realizados, dois ganham destaque. O primeiro, ainda no fim de 2016, foi a montagem e circulação do espetáculo “Resistência: Viver para Resistir ou Resistir para Sobreviver?”, de autoria de José Soares e direção cênica de Gilvan de Souza, também integrante do grupo.

Gilvan destaca a exposição trazida pela obra, que aborda a dura realidade vivida por pessoas negras e de periferia, de se deparar com o preconceito de classe misturado ao preconceito racial: “Além de salientar os estigmas vividos diariamente, o trabalho dialoga com o desejo de resistência, atravessado pela indignação com a série de homicídios cometidos contra essa população, que revelam uma verdadeira chacina”, declara. O espetáculo já foi apresentado em escolas públicas de Fortaleza e também no Teatro da Universidade Federal do Ceará (UFC), alcançando um público em torno de 700 pessoas.

O centro também trabalha com oficinas de luthieria (construção de instrumentos musicais percussivos) - Foto: Wilton Bandeira

A segunda experiência foi desenvolvida em parceria com o Grupo Esteiras de Histórias e com o apoio da Diaconia entre os meses de Abril a Junho de 2017, através de oficinas arte-educativas com crianças e adolescentes da comunidade do Campo Estrela (localizada no bairro Jangurussu). Nesses momentos formativos, se confrontou a temática da Violência Sexual contra crianças e adolescentes, aproveitando o assunto para se tratar, de forma mais ampla, acerca de direitos e deveres e a ênfase na proteção integral desse público, em condição especial de desenvolvimento enquanto ser humano.

O grupo também tem parceria com o Núcleo da Africanidades Cearenses (NACE) da UFC, lutando pela sensibilização de educadores/as para efetivarem a lei 10.639/2003, que inclui o ensino da história e cultura afro-brasileira nas escolas públicas e particulares.

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Promoção e Defesa de Direitos // Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará

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