Mulheres cristãs pedem justiça pelo crime de estupro contra jovem em Olinda
Mobilização contou com a participação das organizações Diaconia, Fórum de Mulheres Cristãs, Coletivo Vozes Marias e Fojupe
Por Tádzio Estevam (assessor de Comunicação da Diaconia)

As mulheres evangélicas ligadas aos movimentos femininos cristãos marcaram presença na frente do Fórum de Olinda (PE), na tarde da última quinta-feira (24), para reivindicar à Justiça medidas de punição contra o caso de estupro praticado por um líder religioso a uma jovem da mesma igreja, no bairro de Rio Doce, no final de 2015. O caso foi denunciado em 2016 ao Ministério Público e uma audiência de instrução foi marcada para essa quinta. A mobilização foi organizada pelas organizações sociais Diaconia, Fórum de Mulheres Cristãs, Coletivo Vozes Marias e pelo Fórum das Juventudes de Pernambuco (Fojupe).
O caso está sendo analisado pela juíza Ângela Teixeira, da Terceira Vara Criminal. A promotora criminal que atua junto à Vara, Henriqueta De Belle, informou que a audiência teve de ser adiada para o final de setembro, tendo em vista a conduta de um grupo de advogados da defesa.
“O acusado contava com apenas três advogados habilitados a participar da audiência. Contudo, recebemos a presença de mais oito profissionais que, de posse das suas carteiras da OAB, insistiram em participar das ouvidas. Entre eles, profissionais da Comissão de Prerrogativas da Ordem, que só são acionados quando o advogado não tem condições de defender o caso. Daí, percebemos uma contradição e a juíza, além de indeferir a solicitação do grupo, resolveu adiar a audiência. Agora vamos cobrar da OAB uma resposta que justifique o envio injustificado de membros da comissão de prerrogativas da entidade”.

O protesto contou com faixas, cartazes e adesivos pedindo justiça e de demonstração de apoio à jovem. “Esse monstro tem que pagar pelo crime que ele cometeu. Isso não pode ficar impune. Acreditamos na Justiça. Ela não irá nos desamparar”, disse emocionada uma das tias da vítima que não quis se identificar.
Bárbara Aguiar, representante do Vozes Marias, lançou mão de um megafone para dizer que “estamos aqui para mostrar que as mulheres cristãs têm entidades que olham por elas, que as escutam e lutam pelos seus direitos. Quando uma mulher é estuprada, todas nós sangramos também, ainda mais em ambientes religiosos onde, em muitos casos, o crime é silenciado. Isso não pode mais acontecer. No final de setembro estaremos novamente aqui com mais pessoas e entidades”.
A assessora pedagógica da Diaconia, Camila Rago, também reforçou o coro. “A Diaconia está na luta para que a justiça seja feita o quanto antes. Estas instituições aqui presentes se unem para dar um basta a esse tipo de violência”.

Histórico — A jovem cristã foi violentada em sua própria residência no final de 2015 quando o acusado se utilizou do pretexto de visitá-la para informar sobre os projetos da igreja. Após alguns meses do ocorrido, já em 2016, a família resolveu denunciar o caso ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE). O processo foi aberto e o caso levado à Justiça. Desde então, a vítima tem sido hostilizada por vizinhos, conhecidos e fiéis da igreja na qual faz parte. Ainda de acordo com o Ministério Público, em março deste ano a vítima passou a ser intimidada pelo agressor com ligações e até mesmo fisicamente, quando o mesmo tentou jogar o carro sobre ela em via pública. Por esta razão, o acusado foi preso preventivamente, mas ficou em reclusão apenas 15 dias (17 de julho a 02 de agosto) sendo solto por meio de um habeas corpus concedido por um desembargador.
