Mulheres reivindicam funcionamento de política pública no Ceará
Por Carlos Henrique Silva, assessor de comunicação da Diaconia

Em meio aos 11 anos de aprovação da Lei Maria da Penha, o estado-natal da mulher que leva o nome da lei continua lutando pela efetivação de um espaço garantido para as mulheres vítimas de violência: a Casa da Mulher Brasileira no Ceará.
A casa, que já teve sua construção concluída, irá funcionar 24 horas por dia em toda a semana, integrando, no mesmo local, serviços de acolhimento e triagem: apoio psicossocial; Delegacia de Defesa da Mulher; Juizado da Mulher; Ministério Público, Defensoria Pública; promoção de autonomia econômica; alojamento de passagem e central de transportes. Cerca de 10 mil atendimentos são esperados por mês, incluindo também o cuidado com crianças que vivenciam esta realidade.
O empreendimento deverá empregar cerca de 230 profissionais com formação em Psicologia e Assistência Social, mas enfrenta as dificuldades da burocracia para ser aberto. Com previsão de construção de uma unidade em cada capital brasileira, até agora apenas quatro Casas estão em funcionamento (Campo Grande, Brasília, Curitiba e São Luís). Com o objetivo de unir forças pela inauguração do espaço, a Diaconia se soma aos coletivos de mulheres locais e vem participando de diversos atos para chamar a atenção do poder público.


Uma destas ações foi o abraço coletivo em torno do prédio no último dia 07, além de reuniões com gestores e audiência pública na Assembleia Legislativa, para pressionar pela inauguração. Estiveram presentes centenas de mulheres representando movimentos sociais, estudantes, Conselho e Fórum Estadual, além da Articulação de Mulheres de Igrejas por Justiça de Gênero.
Presente no evento, a historiadora Taynara Araújo fala das dificuldades enfrentadas pelas mulheres: “Enquanto a Casa permanece há cerca de um ano sem funcionar, a rede de defesa das mulheres no Ceará recebe 50 boletins de ocorrência por dia, sem conseguir dar encaminhamentos efetivos a toda essa demanda”, afirmou.
A proposta do atendimento em rede é de evitar a revitimização da mulher, que até então se vê obrigada a se deslocar entre várias instituições nos diversos bairros da cidade.

A expectativa da Coordenadoria de Políticas para Mulheres do Governo do Ceará, responsável pela implantação, é que a Casa comece a funcionar neste segundo semestre. Taynara, que é integrante da Igreja Betesda, ressaltou a importância da presença de instituições como a Diaconia no monitoramento de políticas públicas, denúncia do machismo e luta por equidade de gênero.
