Resgatando os saberes das famílias na prática da Agroecologia

Diaconia
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Aug 28, 2017 · 3 min read

Por Carlos Henrique Silva (assessor de comunicação da Diaconia), com informações de Cristiano Nunes, Jaqueline Lira e Roseane Simões (técnico e técnicas do projeto ATER)

O apicultor e agricultor Luiz Siqueira (Luiz de Joel), à direita, facilitou a oficina de produtos medicinais

Como parte da assessoria às famílias nas práticas agroecológicas, os intercâmbios de experiências valorizam e aproveitam o conhecimento herdado dos antepassados e presente nas propriedades. Com o objetivo de ampliar esta troca, 26 agricultoras e agricultores do município de Santa Terezinha, no Sertão do Pajeú (PE), participaram de uma prática de campo de levantamento das plantas medicinais cultivadas na comunidade, tanto para prevenção e tratamento de doenças humanas e dos animais, como também no estímulo à geração de renda, com a produção de alguns produtos derivados.

A atividade foi realizada na comunidade de Freire, localidade apoiada pela Chamada de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER Agroecologia). Na região, a iniciativa é realizada por meio de parceria entre o Centro Sabiá e a Diaconia, com apoio da Secretaria Especial de Agricultura Familiar e Desenvolvimento Agrário do governo federal.

Uma das experiências visitadas foi a do agricultor Severino José Lopes, marcada por uma variedade de plantas da Caatinga com potencial medicinal. Além da iniciativa de preservar a área, seu Severino tem cuidado até na forma de retirar alguma parte das plantas para o uso, evitando a morte durante o corte.

Outra visita foi à propriedade da agricultora Cosma Maria da Silva, que além de mostrar a diversidade de plantas medicinais no seu quintal, cedeu a cozinha para a parte prática da oficina, facilitada pelo apicultor e também agricultor Luiz Siqueira (conhecido como Luiz de Joel), do município de Carnaíba.

“O grupo participante voltou bastante animado da oficina, destacando a importância da troca de conhecimentos entre si, e o resgate de uma cultura que vem sendo esquecida ao longo dos anos”, relata a técnica do ATER, Jaqueline Lira. Na perspectiva da autonomia econômica das famílias, a capacitação ainda abrangeu a produção de xaropes, sabão líquido, pomada e outros extratos das plantas medicinais.

Biodigestor - Outra atividade de intercâmbio ocorreu na comunidade de Logradouro, município de Iguaraci, com a presença de 31 participantes, dentre mulheres, homens adultos e jovens agricultores. A ação abordou as práticas muitas vezes danosas ao meio ambiente, de derrubada e utilização da madeira da caatinga para o fogão doméstico, apontando como alternativa o uso do biodigestor.

A agricultora Mônica Pereira Leite recebeu em sua propriedade todo o processo de construção e assentamento das placas, construção das caixas de entrada e saída e capacitação para a manutenção da tecnologia. Mesmo não sendo pedreiras capacitadas, as mulheres presentes colocaram “a mão na massa” e contribuíram no processo.

“O intercâmbio de conhecimento foi de suma importância para as famílias agricultoras. Ele fez com que elas refletissem sobre a situação de devastação em que se encontra o bioma Caatinga, e mostrou que com pequenas coisas podemos recuperar esse bioma, que é tão importante para a natureza”, afirma Cristiano Nunes, também técnico do projeto.

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Promoção e Defesa de Direitos // Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará

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