PRECISAMOS DEFENDER NOSSO PATRIMÔNIO COLETIVO:

O governo assinala hoje que pode privatizar toda a Petrobrás. Isso é um absurdo, um dos maiores atos de traição a pátria brasileira de que se tem notícia.

Ainda assim, o que mais me espanta é o nível de descolamento entre as coisas pelas quais a “esquerda” se mobiliza e nossas maiores urgências. Entre críticas a ministra Damares e o ministro Velez Rodríguez, não existe sequer um único indício de organização para defender nossa pátria e nosso povo do saque que estamos prestes a viver. Seria isso por acaso?

Estamos prestes a destruir a base do Estado-Social que nos foi deixado como legado de nossas lutas no século XX. A pauta de costumes é importante, mas até para seus maiores defensores, seria um erro pensar que esta está deslocada da pauta econômica e da infraestrutura material coletiva, pública, que criamos para facilitar nossas lutas.

Amigos liberais de esquerda e defensores das minorias, vocês também são importantes. Nesse momento vocês são a maioria da “esquerda”, por isso é importante que percebam que, a Caixa, a Petrobrás e a Eletrobrás são suas também. Elas também te dizem respeito e estão sendo roubadas de nós. É por meio da Caixa e da Petrobras que nosso Estado financia inúmeros eventos culturais e políticas públicas que são mais que do extremo interesse de seus objetivos políticos, bem como seria dessas empresas que viria o impulso para mudarmos nossa matriz energética para energias renováveis e mudarmos nossa relação com o meio ambiente.

Não podemos continuar lutando contra espíritos, contra miragens, enquanto na realidade nos saqueiam nosso suor, nosso esforço e nosso sangue. A Petrobrás, a Eletrobrás e a Caixa, são feitos do sangue de nossos ancestrais, como podem vocês serem tão sensíveis ao sofrimento, mas ignorarem a maior maldade que uma alma humana pode cometer? Tornar nulo todo sacro sacrifício feito em nome de libertar nosso povo?

Durante as eleições, Ciro Gomes foi muito criticado ao analisar o movimento “ele não”, e dizer que esse tipo de mobilização abstrata e denuncista, ainda que perfeitamente correta e legítima, tinha suas limitações. Continuamos até agora com a mesma forma de luta, subjetiva e abstrata contra o agora governo e seus atos, enquanto estes, objetivamente na realidade material, destroem a infraestrutura do nosso Estado e nos vendem aos gringos….

Precisamos aliar a luta na esfera dos costumes junto à luta da infraestrutura, caso contrário, iremos colecionar mais uma tragédia. Como tem sido até aqui, uma narrativa moral, de bem x mal, onde o puro bem, mesmo correto, perde justamente por ser tão “ bom”, e não ter a malícia necessária para entender o “mal”, e derrota-lo.

7/2/2019