Reflexões sobre o Nacionalismo Brasileiro:

Quanta vergonha sinto desse nosso “falso nacionalismo”, esse “patriotismo teatral”. Mero recurso demagógico que nem de longe mereceria ser comparado ao “nacionalismo reativo” descrito por Gilberto Freyre, que por vez ou outra traz frutos menos podres do que os habitualmente encontrados na periferia do sistema capitalista, as nações terceiro-mundistas/ em-desenvolvimento.

Sua única finalidade é vender o patrimônio do povo brasileiro, sem que este perceba que é, mais do que de costume, dada nossa posição no sistema mundo e a forma como funciona o sistema capitalista, roubado, espoliado e oprimido.

Aqueles que por aqui colaboram com a “elite internacionalista dos mercados financeiros”, tanto nossos políticos entreguistas, verdadeiros saqueadores da nação, quanto o “1%” da população brasileira que hoje concentra 30% de toda riqueza nacional e é quem verdadeiramente nos controla, mesmo que subalternos ao capital internacional, diferentemente do povo que sempre espoliaram, e que por vezes dizem representar, não tem a menor ideia do que é o Brasil, muito menos do que é ser brasileiro. O povo sabe o que é ser brasileiro, e diferentemente dos que nos dominam, nunca desejaria ser algo diferente. Ainda que as vezes pareça que talvez a vida fosse mais fácil se tivesse nascido em outro lugar.

O povo brasileiro, sobretudo a classe trabalhadora, deve tomar consciência que é hora de provar de uma vez por todas quem somos. É hora, mais do que nunca, de defender a colossal cultura brasileira, sem sermos tacanhos e chauvinistas. É hora de todos nós do “campo progressista” defendermos uma identidade nacional baseada em nossa história, principalmente na história das lutas da classe trabalhadora, dos escravos, indígenas e todos os espoliados e oprimidos, pois este país foi erguido por seu esforço e seu sangue. É hora de defender essa pujante cultura e nosso rico mosaico de culturas e tradições que variam de região para região, em função de nossa enorme, e perversamente obtida, variedade étnica.

Devemos criticar nossa “ antiga identidade nacional demagógica”, erguida sobre o “mito da democracia racial brasileira”, devemos fazer justiça. Mas isso não muda um fato importante:

Precisamos de uma “identidade nacional”, que com todas as nossas diferenças regionais, unifique todo o povo que vive, e ama viver, nesse território. Não vejo como fazer isso de forma justa, sem que a base fundamental para isso, sejam as próprias diferenças regionais em si. Estejamos certos, uma das únicas formas de fazer isso funcionar, é fazer com que essa “unidade” seja obtida à partir de múltiplos particulares, que em sua totalidade, demonstram o que é ser brasileiro de fato.

E principalmente, é hora de provar mais uma vez, com ações materiais concretas, e menos falatório abstrato, que o Brasil é dos brasileiros e não do mercado.

15 de agosto de 2018.