Amor

William Bonner e Fátima Bernardes. Angelina Jolie e Brad Pitt. Mais uma vez, as pessoas ficam perplexas com a separação de casais icônicos. Tal perplexidade não corresponde apenas a celebridades, qualquer relacionamento terminado gera comoção.

Por que gera-se tanta expectativa em relacionamentos?

Todo o momento, somos bombardeados com a idealização de relações amorosas. “O príncipe encantado’’, “o amor da minha vida’’ entre outros. Somos doutrinados na crença de que sempre precisaremos de um “par perfeito’’ para nos sentirmos completos. O ápice da realização pessoal é a constituição da família, o casamento, um grande amor.

Tal dependência do outro gera inúmeros problemas psicológicos, como baixa auto estima e ansiedade que são expressos por meio de ciúmes e a necessidade de controle excessivo do outro. A crença de que seu parceiro é sua posse leva homens a cometerem diversos crimes “passionais”, e da mesma forma, mulheres agem com hostilidade entre si ao se sentirem ameaçadas por uma “rival em potencial’’.

Ainda analisando os aspectos negativos relacionados a supervalorização do amor, a objetificação e comercialização das expressões de afeto também é influente na sociedade. O dia dos namorados, aniversário de casamento/namoro são uma evidência desse fenômeno. No capitalismo, é evidente que qualquer termo (concreto ou abstrato) será aproveitado para gerar capital, e não seria diferente com as relações amorosas. Criou-se a ilusão de que, ao comprar um presente de dia dos namorados ao seu parceiro, você estará materializando (tornando assim passível de ser mensurado) o seu amor por ela. Neste conceito, o seu poder de posse é mais relevante do que o seu sentimento. Afinal, poucas pessoas aceitam uma simples verbalização do apreço sentido.

O ciúmes nada mais é do que o medo de perder a pessoa amada. Porém, o que seria perdido? A partir do momento que seu cônjuge tem interesse em outra pessoa, ela já não está perdida? Se o seu parceiro (a) não te ama mais, porque insistir na relação? As vezes, o amor trata-se de deixar ir. Nem sempre, amar alguém é sinônimo de estar junto com essa pessoa.

A fidelidade no casamento muitas vezes é uma obrigação penosa, como foi observado na obra Mayombe: “Se casasse, o que passaria? Ser-lhe-ia fiel. Não porque não desejasse outras mulheres, mas para poder exigir dela a mesma fidelidade. Como vês, o casamento seria uma prisão hipócrita.’’

Não será a relação amorosa uma necessidade de suprir vazios existenciais? Não será uma carência? Porque não conseguimos satisfazer nossas necessidades sexuais sem envolver nossos sentimentos? Porque continuamos com uma pessoa mesmo sem amá-la?

Muitas vezes, o que é considerado amor, nada mais é do que um conformismo camuflado, uma necessidade X intrínseca ou apenas desejo físico. Nenhum deles dura para sempre, logo, o término de uma relação amorosa talvez não foi o término do amor, mas sim, o término de alguma dessas características.

Pode ser que existam realmente casais apaixonados, almas gêmeas, mas são exceções, e não a regra.

Não peço que não haja amor, só rogo que as pessoas tenham autonomia para mantê-lo até o momento que ele exista. Que cada um tenha liberdade para terminar e começar um relacionamento sendo fiel aos seus sentimentos. Que ninguém se sinta obrigado a continuar uma relação.

Qualquer relacionamento onde houve amor, mesmo com apenas um dia de duração, valeu a pena.

Amor é a liberdade de ir e vir.

Show your support

Clapping shows how much you appreciated Ana Villalobos’s story.