Big Bathroom
Não conhece? Nem eu conhecia antes de chegar à São Paulo.
O famoso banheirão é simples. Homens ficam fingindo estar mamando para poder trocar carícias, sexo oral e (ás vezes) sexo anal.
Existe um código de ética nessa prática (pelo menos pra mim):
- Não se exibir sem ter certeza de que o(s) outro(s) quer(em) ver;
- Não tocar em ninguém sem ter certeza de que é recíproco;
- Não fazer absolutamente nada se um pai com seu filho estiver presente.
O banheirão foi uma maneira inconsciênte de ser desejado, olhado e de “flertar” que não tive na infância/adolescência. Como disse no texto “Não tive um amor antes de 23…”, essa falta de um romance orgânico destruiu minha auto estima e me “forçou” a escolher caminhos duvidosos.
Embora ache excitante o perigo e de encontrar um homem “hétero” para satisfazê-lo, confesso que tive a beira de ser preso e de apanhar.
A primeira vez que pensei que tudo estaria acabado foi em um banheiro da Vila Madalena (Metrô de sp). Estava trocando olhares com um rapaz e, quando enfim tive a oportunidade de mamar ele, o segurança bateu do lado de fora do banheiro gritando “ESTOU CHAMANDO O SEGURANÇA!”. Meu coração foi parar na boca e corri desesperado pro mais lomge possível.
Outra vez estava em um banheiro de um habibs perto da paulista. Vi um homem alto e másculo no mictório e me posicionei no mictório ao lado. Percebi seu olhar fixo a mim e seus movimentos simulando uma masturbação. “Bingo!”. Dei check em todas as minhas New Rules do Banheirão e fui pegar no pau dele. Quando ele falou “Sai, seu viadinho de merda! Antes que eu te quebre!”. Sai na velocidade da luz para encontrar meus amigos do lado de fora pálido.
Teve até uma ocasião recente em que um evangélico entrou no banheiro e percebeu minha interação com outro rapaz e disse “Não façam isso com vocês mesmos”.
“Não façam isso com você mesmo”
Essa frase ecoa sempre na minha cabeça. Não sei se é a culpa cristã, ou minha consciência bugando por querer meu bem e fazer o mal ao mesmo tempo.
Essa pratica me tornou um escravo do banheirão. Todos os lugares diferentes que vou me pego chegando onde é o banheiro mais próximo. Já me fez perdee um notebook (que nem era meu), por ter esquecido em uma dessas aventuras.
Hoje ele faz parte da minha rotina diária. Vou ao trabalho, mas antes preciso passar no banheiro da Lapa e de Barueri (na ida e na volta). E o que me alimenta é que sempre encontro alguém. Bonitos e feios, horríveis e incríveis. Estranhos e normais. Tem de tudo.
E parte disso me conforta em saber que não estou sozinho.
