A dor caramelo

O que torna humanos mais humanos se não os animais?

Hoje, de manhãzinha, pela fresta da janela vi um dia nublado, enfim chuva? Cumprindo minha rotina matinal de levar a Maria para o colégio, cheguei na cozinha e a vi chorando copiosamente… logo imaginei que ela estivesse fazendo o charme de criança de sempre, em falar que está passando mal (às vezes é verdade, claro) e não quer ir pra aula (o que também é típico de criança morrendo de sono). Na verdade, ela de cara, diretamente me disse que a cadelinha lá de casa tinha morrido…

Fiquei em choque, por um instante parecia que um ser humano próximo havia morrido. Fui até o lugar onde ela morreu… e por alguns instantes, olhando, analisando e pensando muito fiquei abalado… Parecia ser alguém da nossa família, começava o meu luto ali, pela Maria, por mim mesmo e pela casa. Me segurei pra não chorar, pra não passar instabilidade a Maria, segurei sua mão, lhe dei um abraço de rara sorte pela manhã, já que sou um ogro quando acordo, principalmente cedo. No caminho para o colégio ouvia silenciosamente seu nariz encharcado escorrendo, seus olhinhos inchados, suas indagações e também sua indignação, a revolta da perda produziu questionamento e amadurecimento únicos nela, nesta manhã.

A manhã não sabia que aquele nublado nostálgico triste, era na verdade caramelo cor de Princesa.

O que exatamente são os cachorros?

Maria, não fique triste, muitos cachorrinhos virão e irão, cada qual com seu legado, cada qual com a cor que deverá preencher em nossa vida, na estação certa de cada cor. Não temos mais Ipês.

Esse texto continuará quando eu souber o que escrever.

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