Da guerra

Os passarinhos cantam o sabor amargo da morte

As árvores se sacodem para mostrar que ao menos elas representam a vida aqui.

Do grande nada, concretos, estátuas e flores.

As guerras são apenas memórias hoje

Delas, restam um avô sem humor que ele comemorou quando morreu.

Bem diferente dos soldados mortos em combate, até hoje lembrados com dor.

Um policial interrompe um casal que bebe na grama. Aqui não é lugar para sorrir.

Do céu nublado algumas gotas de lágrimas ainda são derramadas

A beleza triste da morte pisca.

O cheiro de sangue dá lugar ao pólen espalhado pela primavera.

A tarde cheira a domingo e, apesar de tudo, cai com uma serenidade invejável.

12–06–16