De dores e amores

A vida é um acúmulo de amores e dores. Às vezes eles até se misturam. Dos amores, ficam os sentimentos empoeirados; as fotos que não ‘cabem’ mais em porta-retratos; as músicas que se tornam difíceis; os presentes que não foram para o lixo e os bilhetes esquecidos nas gavetas. A recriação, reinvenção e repercussão daquela conversa que vocês nunca tiveram.

Já as dores vão se somando e a gente não devia, mas se acostuma. Como diz Dostoiévski o homem se adapta a tudo (até a pedância das citações). E nós vamos convivendo e dissipando a amargura das dores que sentimos. Mas elas vêm e vão. Ficam entranhadas na pele.

Aos 80 anos, minha avó tem dor de cabeça de um sol que ela tomou aos 30, quando lavava roupa na beira do Rio Paraguai. Uma dor antiga tão presente que parece ter sido causada pelo sol de hoje. E assim vão sucedendo nossos amores e dores. Vão e vem. Pesando e aliviando nossas cabeças.

(março de 2016)

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