Começo do fim

Acho que neste ano tive bastante tempo pra questionar como as coisas tinham chegado até onde estavam e como tudo acabou se tornando tão diferente do que eu havia imaginado. Resolvi sentar pra escrever e acabei percebendo que não importa o quão difícil foi 2017, não consigo deixar de ser otimista.

Dia desses li uma frase que dizia algo como “nunca estamos preparados para o que esperamos”. Acho que, apesar de termos um mínimo controle sobre nossas escolhas, a vida dá um jeito de ir lá e mudar todo o resto.

2017 me ensinou que o fim das coisas são sempre começo de outras. E que essas coisas que vêm na sequência também têm o potencial de serem maravilhosas (embora a gente sofra, chore um pouquinho e leve um tempo pra perceber).

Pode ser que a a vida coloque uma pessoa maravilhosa na tua vida quando você acha que quer ficar sozinha. Ela pode te dar uma oportunidade de emprego incrível quando você não tá a procura e te dar um baita susto quando tudo desmorona bem antes do planejado. E mesmo assim a gente encontra força e coragem pra olhar pra frente e buscar um caminho pra ficar tudo bem. Ou não tão bem assim, mas o mundo vai continuar girando.

Vai ver algumas coisas precisam desmoronar mesmo pra abrir espaço pras coisas novas entrarem, pra gente viver o que não achou que tava vindo. Às vezes a gente tem medo de mexer em algo que já aceitamos como “certo”, porque parece pior lidar com a mínima chance de ter algo melhor.

Aprendi muito sobre desprendimento, sobre abrir mão do meu apego, do controle, descobri que a gente não precisa conquistar as coisas que achamos que precisamos dentro do tempo que a gente considera ideal. O tempo sabe mais das coisas do que a gente. Repeti essa frase mentalmente algumas vezes ao longo deste ano.

Quando as coisas acontecem fora do tempo que a gente planeja, a gente tem a vantagem de ter mais tempo pra se dedicar a outras coisas. Correr, cozinhar, passar café, pisar na grama, nadar, pegar a estrada, acender umas velas, respirar fundo, apreciar o silêncio. Ou simplesmente ter 5 minutinhos a mais pra não fazer nada. Percebi que valorizando mais esses pequenos prazeres (meio Amélie Poulain mesmo), dá pra ser um pouquinho mais feliz com um esforço bem pequeno.

Descobri também que é legal ficar sozinha, mas que precisar de apoio não é fraqueza. Que as nossas conquistas têm muito mais graça quando a gente tem as pessoas que nos fazem bem por perto pra compartilhar.

Acho que fui feliz nas escolhas que fiz. E mais feliz ainda nas coisas que rolaram ao acaso. Boas ou não, aprendi. No final das contas parece que tudo está no lugar que deveria estar.

Vai ver é só uma questão de mudar a perspectiva e não o caminho.

É por isso que meu ano está terminando assim: tão bem quanto começou.