Obrigada, 2016.

Esse texto tava meio engasgado, tinha parado pela metade e abandonado nos rascunhos aqui do Medium (junto com tantos outros) desde o dia 1º de dezembro. Comecei a escrever quando abri uma garrafa de vinho só pra mim e sentei no sofá na primeira noite no meu novo apartamento e comecei a pensar sobre tudo que rolou em 2016 e todo o trabalho — emocional, especialmente — que tinha me levado até aquele lugar que eu finalmente podia chamar de meu.

Acho que, além da listinha básica de metas para o novo ano, o que mentalizei com mais força na contagem regressiva da virada era que em 2016 eu pudesse cultivar a serenidade, ser capaz de levar as coisas de um modo mais leve, como eu ja vinha fazendo mais ou menos desde setembro, quando me aproximei da meditação e comecei a praticar algumas técnicas pra tentar manter a mente quieta no meio de uma fase meio ruim.

O mais incrível é que a gente faz listas e planos, mas é tudo tão maluco e o mundo continua girando que às vezes nem tudo sai conforme a gente planejou. As prioridades mudam, as coisas e as pessoas acabam adquirindo importâncias diferentes na nossa vida. Eu vi de perto isso tudo rolar ao longo de 2016.

Viajei pra praia, pro Rio, pra São Paulo. Pra Buenos Aires e Uruguai também. Mudei de emprego, trabalhei com pessoas sensacionais e percebi que é importante nunca parar de aprender. Comecei yoga, alonguei, meditei, respirei bem fundo, larguei a yoga. Voltei pra terapia, compreendi melhor um monte de coisa, continuo sem entender uma porção delas, mas está sendo lindo. Fiz dieta e também chutei o balde, dei risada até chorar comendo hambúrguer e tomando cerveja de madrugada com os amigos. Engordei e descobri que dava pra ser feliz mesmo com uns kgs a mais. Que ser gorda ou magra não me faz melhor nem pior. Lembrei que adoro tapioca e suco verde, mas que pão de queijo e bolo de chocolate também é uma delícia.

Gastei dinheiro, juntei dinheiro. Fiz umas tatuagens. Dancei sozinha na cozinha de casa. Comecei um relacionamento com uma menina incrível que admiro e respeito muito. Joguei futebol com umas meninas maravilhosas. Li dezenas de livros, não vi todos os filmes e séries que eu gostaria. Continuei indo no cinema sozinha de vez em quando e esse continua sendo um dos meus programas favoritos. Também fui pra balada no meio da semana e continuo achando que tô velha pra isso.

Me permiti acordar meio dia de vez em quando e ficar o dia todo de pijama sem fazer nada. Também acordei muitas vezes antes das 6h da manhã pra correr. Corri 5, 14, 17, 21, 23, 25 km. Não corri a maratona. Aprendi na marra que ter paciência é importantíssimo. Corri 2 meias maratonas, uma fora da minha cidade, outra fora do país. A corrida tem um papel importantíssimo na minha vida. Aprendi também que ter metas e compromisso com esse esporte é legal, mas correr só pelo prazer e sem seguir planilha é melhor ainda.

Mudei de emprego de novo, percebi que dá pra ter mais responsabilidades e mesmo assim a gente não precisa se pressionar e se cobrar tanto. Que é importante fazer o que acredita e ir atrás do que se quer. Mas que tem que se divertir nesse processo todo, senão não tem graça.

Me dei conta de que sou sim forte e determinada. E que consigo me entregar e colocar paixão nas coisas que faço. E que dá pra eu mesma gostar de mim. Porque eu é que tenho que ser a pessoa mais importante da minha vida. Que houve momentos em que eu parecia perdida, mas que me encontrei de novo todas as vezes. Aprendi que dá pra chorar encolhida, mas também dá pra deitar, respirar bem fundo, acender uns incensos, esperar a bad passar e que fica tudo bem. E que às vezes não fica tudo bem, mas que não tem problema em ficar triste de vez em quando. E que eu não preciso ter medo de sentir. E de mostrar o que sinto.

Entendi que a gente têm todas as ferramentas pra fazer as mudanças que quer na vida. E que dá trabalho, mas vale a pena. Visitei apartamento, esvaziei armário, doei roupas, joguei uma porção de papeis fora, vendi livros, revivi memórias, carreguei caixas, montei estante, pendurei quadro. Saí da casa dos meus pais.

Descobri que tem muita gente torcendo por mim e vibrando com entusiasmo com as coisas boas que acontecem na minha vida. Amigos que a gente passa meses sem ver, mas que sabem se fazer presentes e são especiais da maneira deles.

Deu bastante trabalho e também — de uma forma que eu não consigo explicar muito bem— sinto que o universo trabalhou a meu favor e me deu um empurrãozinho pra que as coisas “dessem certo” este ano. Teve perrengue sim. Mas descobri que a vida é boa. Às vezes é só uma fase ruim. Tem que deixar o tempo passar (isso eu ainda tô aprendendo :P). E, enxergando as coisas por esse viés, não consigo deixar de ser otimista com o ano que vem pela frente.

Pode vir com tudo, 2017. Acho que tô pronta agora.

Show your support

Clapping shows how much you appreciated Diana Stivelberg’s story.