Como a tecnologia interfere nas interações sociais

Em um futuro fictício, podemos analisar a história de Theodore Twombly contada no filme “Her”. Theodore é uma cara introvertido, recém-separado e que trabalha em uma empresa onde este, escreve cartas para clientes que sentem a necessidade de presentear alguém ou agradar. O que já causa impacto de início, é a maneira como as coisas são descritas no futuro. Estamos lidando com uma empresa que escreve cartas para clientes, cartas de amor, inclusive. O personagem Theodore não escreve cartas de forma convencional, quer dizer, não para nós. As cartas são escritas de maneira virtual e o computador reconhece todas as informações e produz o texto de forma rápida sem necessidade de digitar o texto, a produção é realizada oralmente.

Em meio esse novo mundo com novas e poderosas tecnologias, o protagonista Theodore instala um novo sistema operacional em seu computador de casa, um sistema riquíssimo de super inteligente, algo muito moderno que praticamente possui vida, pois se comunica de forma inteligente e aprende sempre e a todo momento, apenas para se adequar ao estilo de seu comprador.

O sistema desenvolvido e comprado por Theodore ganha vida e se auto nomeia Samantha. Em meio a descoberta de um sistema tão complexo, a solidão de Theodore começa a lhe deixar muito sensível. Samantha se aproxima de seu dono aprendendo a entender seus gostos e costumes. A vida para Theodore e Samantha se torna íntima. Um, age como se um sistema operacional fosse capaz de fazer algo além do que foi programado, como por exemplo, amar. O sistema, por sua vez, foi programado para aprender e se contextualizar com o ambiente, e o faz.

Diante de tanta evolução, Theodore se apaixona pelo seu próprio sistema operacional, alegando entender que nãos e trata de apenas de algo programado e sim de alguém que possui vida própria. As consequências desse resultado serão dolorosas para Theodore. O protagonista se isola totalmente do meio social e percebe o quão longe chegou, se deixando guiar por seus desejos.

Ao analisarmos o filme “Her”, podemos entender como a tecnologia pode nos envolver e nos transformar mas, as vezes, tal interação passa a ser negativa.

Sabe-se que o mundo da tecnologia é imenso e se expande a cada dia mais, seu mercado de negócios busca produtos que surpreenda e atraiam cada vez mais pessoas, isso é uma coisa boa, porém, exige cuidados na forma como se utiliza esses produtos. Não se pode deixar de lado as interações sociais do dia-a-dia, elas são importantes e fundamentais,

É preciso separar os conceitos de interação social e virtual. O autor e filósofo Pierre Levy defende a interação virtual e a expansão do ciberespaço através de troca de conhecimento, isso pode e deve ser produzido, mas tal atividade não pode interferir na maneira como se encara suas relações pessoais, seus conceitos, sue comportamento. Deve-se manter os dois exercícios, ambos relacionados separadamente.

A tecnologia existe para surpreender cada dia mais porém, não deve envolver, influenciar ou perigosamente cegar. Siga a tecnologia, aproveite-a, mas aprenda a usá-la como mecanismo de ciência e entendimento, assim será possível compreender os benefícios de seu uso.