Agências Brad Pitt e agências Johnny Depp

Depois do último post sobre o “desabafo do Thiago”, comecei a pensar sobre os modelos de agência… Também estava revendo o vídeo do Johnny Depp tocando guitarra em uma gravação de Put a Spel on You (o filho da puta ainda toca guitarra,,, e mto bem).

Foi quando, conversando com minha esposa, me dei conta que poderia tecer um analogia bem interessante sobre agências “antigas e novas”. Não do ponto de vista de idade. E sim, do modelo de negócio, maneira de pensar…

Vamos lá.

Comecei a pensar no Johnny Depp e procurei algum ator de mesma idade que fosse Holywoodiano, que fosse famoso, queridinho e admirado pelo mundo.

Minha esposa comentou do Brad Pitt.

Johnny Depp e Brad Pitt nasceram e cresceram na época de um BOOM da indústria cinematográfica americana. Ambos nasceram em 1963 e nenhum deles tinha os pais na profissão da 7ª arte.

Eles foram cotados e convidados até para estrelar os mesmos personagens em Entrevista com o vampiro, por exemplo. Estrelaram grandes sucessos e tudo mais…

O que difere os dois? Bueno, desapegando de talento e não querendo entrar em julgamentos mais técnicos em relação à profissão de ambos (até porque não tenho as ferramentas para tal), quero me ater a uma analogia sobre agências de propaganda/comunicação.

Brad Pitt, especialmente na década passada, era a bolinha da vez. Estrelou vários filmes. Tem o perfil galâ. Atua em personagens (na maioria das vezes) que são os mocinhos (ou quase isso dependendo do ponto de vista). É desejado, modelo de homem ideal… Até é casado com a Angelina Jolie. Rico, famoso, com a profissão bem estruturada até agora. Glamour e satisfação garantidos.

Fazendo a analogia, ele seria o exemplo de agência “tradicional”. Fazendo suas campanhas baseadas em fórmulas de sucesso garantidas, sem arriscar muito no diferente ou em coisas que saiam muito do “deu certo antes, dá certo ainda”. Nunca fez um papel (mesmo que o escolha a dedo) em que desconstruísse sua imagem sua imagem de galâ desejado (mesmo fazendo o bad boy). Calca suas personas em arquétipos mesclados entre o malvadinho rebelde e o homem perfeito. A agência que fala e comprova que um filme no intervalo do Fantástico dá muito mais resultado que uma campanha 100% online. É aclamada pelo mercado como “criativa” e é sucesso garantido trabalhando dentro do mundinho da propaganda.

Já Johnny Depp, começou como Brad Pitt, mas não continuou nessa estrada. Tangenciando essa trajetória, se permitiu ao novo. Começou a ser muito admirado por pessoas que curtiam o diferente, ousado e lúdico, tipo o universo estilo Tim Burton. Faz os personagens mais polêmicos e difusos. Mescla o mocinho com o macabro. Ganha a cena em todos os trabalhos como o seu companheiro de profissão, mas transita em vários aspectos da arte em si, não só cinema. Vai do Eduard Mãos de Tesoura até Willie Wonka. Convive com várias artes… É amigo pessoal de Tim Burton e de atores q são cantores como Helena Bonham Carter.

Mais uma vez, fazendo a analogia, seria o exemplo de agência “nova”. Não faz só a fórmula do sucesso. Se permite arriscar, brincar com a imagem. Transita em vários mundos, desde roteiros até a música, e atua de modo diferenciado no mercado. Não se preocupa com o resultado garantido da fórmula, tanto que recusou papéis importantes, como os que ficaram com Keanu Reeves em Velocidade Máxima, Tom Cruise em Entrevista com o Vampiro, e Brad Pitt em Lendas da Paixão. A meu ver, é apaixonado pelo processo criativo como um todo. Tanto que agora aparece solando blues num vídeo no youtube.

Essa é a imagem do novo mercado da comunicação. Sendo idolatrado por cada vez mais pessoas.

Além de ir arrebatando premiações “formais”, ganha várias eleições de melhor ator, ator mais estiloso, ator mais sexy, ator mais bonito e personalidade do ano, mais legal e gentil com os fãs entre outras coisas.
Foi apresentador do Srceam Awards!

Isso porque se permite arriscar, transcender o modelo certeiro de sucesso. Faz campanhas 100% online para lançar produtos. Vai além do briefing que traz a solução (não o problema a ser resolvido) identificando que um evento é melhor que um anúncio para solucionar a “dor” do cliente. Mas se a solução proposta “pede” mídia tradicional, o faz muito bem, mas não depende dela pra viver.

Se ganha cachês milionários, é consequência de tudo isso… Aliás, é o ator mais bem pago da história hoje…

E ae? Em qual você quer trabalhar?

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Lembrei desse texto do meu antigo blog, mas achei que continua muito atual não só para agências, mas para todo modelo de negócio.