O que é ser homem?

Desde o casamento tenho refletido sobre o papel que eu desempenho como homem na relação, ou sobre qual será meu papel como pai, quando eu tiver um filho.

Me sinto muito grato ao meu pai, porém ele para mim foi um exemplo de como a ideia de masculinidade de antigamente pode dar errado.

Eu me refiro a um modelo de homem bem específico, no qual se é um chefe de família a qual todos devem obediência e que em contrapartida garante a segurança e o sustento da esposa e dos filhos.

Este modelo acaba trazendo uma série de efeitos colaterais:

O homem precisa ser forte; Este pensamento trás junto a ideia de que se abrir sobre seus problemas faz de alguém menos homem, então, ao invés de se mostrar vulnerável, de confessar que está deprimido, etc. é mais fácil se esconder em bares, junto com outros companheiros igualmente infelizes, entrando numa via autodestrutiva de bebedeira e jogos.

O homem precisa sustentar a casa; E o que acontece quando se está desempregado? Quando meu pai chegou aos 40 anos, uma idade crítica para motoristas de caminhão, saia para buscar emprego pela manhã e só chegava em casa tarde da noite, completamente bêbado e com dívidas no bar. Minha mãe precisava fazer uma série de bicos para colocar comida na mesa, enquanto ele tinha uma repulsa sobre os trabalhos que achávamos para ele, pois determinados trabalhos o tornariam menos homem, o que ele precisava mesmo era de um emprego de verdade.

Os interesses do homem vem em primeiro lugar; Era comum que o homem pensasse primeiro em suas “necessidades” e entregasse para a mulher uma parte do salário que mal era suficiente para cobrir as despesas. Se a mulher reclamasse, passava por bruxa. Lembro que minha mãe largou um emprego e usou todas as verbas indenizatórias, mais as poupanças que havia feito para mim e meu irmão, para ajudar na compra de uma casa própria. Enquanto isso meu pai também fez um alto investimento, mas sempre sobravam quantias fabulosas para ele gastar com jogos e bebidas para os amigos, etc.

Ir ao médico só em último caso; Isso é outra variante do homem precisa ser forte. Enquanto as mulheres correm no médico ao primeiro sinal de doença, os homens só vão em último caso. Meu pai faleceu em decorrência de uma pneumonia que ele estava há dias, mas que não havia sido diagnosticada, pois ele achou que não era nada.

Este modelo de homem como o chefe está tão enraizado que é preciso estar muito lúcido para não seguir a inércia, desde crianças somos ensinados que ser homem é ser forte, não chorar, etc. Vi outro dia uma história ocorrida em uma brinquedoteca. Um menininho de 3 pra 4 anos brincava de acalantar uma boneca, então seu pai chegou, viu a cena e disparou muito bravo: “está virando gay agora?”, ao que o menininho respondeu, “não, estou virando pai”. Não sei se a história é verídica, mas ela ajuda a refletir um pouco sobre como educamos as crianças. Dentro de um quadro de referências de que um bom pai tem dinheiro e garante segurança e conforto para sua família, enquanto uma boa mãe é carinhosa e cuida bem de seus filhos, tem certas brincadeiras que não cabem aos meninos, pois isso faz deles menos homens e vice e versa.

Mas, não basta rejeitar um quadro de referências anterior, é importante também buscar modelos positivos, que me ajudem a responder qual é o tipo de homem que eu aspiro ser?

Isso é uma pergunta que tenho feito para mim, não para buscar um tipo de masculinidade ideal, mas para entender qual a masculinidade que cabe a mim neste momento.

Gosto de ser chefe, mas acho muito mais interessante ser companheiro de minha esposa, que homens posso tomar como exemplo para aprender ir de um papel ao outro?

Gosto de ficar fechado com meus problemas, mas ao meu lado tem uma mulher que todos os dias me oferece ajuda, em que exemplos masculinos eu posso me basear para aprender a me abrir mais?

Enfim, esta é uma busca que imagino que muitos compartilhem, quem tiver histórias que me inspirem a ser um homem melhor, eu gostaria muito de ouvir.

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