Fachin, os Aventureiros e “tá tudo bem”

A lista de Fachin revirou o tabuleiro político brasileiro. Jogou ao desespero os nobilíssimos políticos tradicionais, não perdoou nenhum partido e colocou uma grande dúvida na cabeça dos brasileiros: em quem vamos confiar?

Primeiro, a Lava-Jato, apesar da sua importância histórica e republicana, tem seus efeitos colaterais: adensou a judicialização do Estado, produziu a falácia da “moralização” pública, deslegitimou os partidos políticos e criou um “herói” brasileiro chamado Sérgio Moro (morismo).

Segundo, a movimentação dos grandes partidos políticos do país, a famosa tríade PT-PMDB-PSDB, e seus respectivos aliados fisiológicos PCdoB-PP-DEM-PSD (e mais 30), tem se intensificado nos últimos meses, agora com mais força ainda. Quem tem a casca grossa pra peitar Moro em Curitiba? Políticos já estão se esgueirando para baixo das asas da grande Fênix brasileira. A cada morte decretada, renasce um homem mais feroz, duro, de áurea imbatível: Luis Inácio Lula da Silva. Ao passo que parte da esquerda converge em torno da figura forte de Lula, os políticos tradicionais também. Dizem que estão querendo um grande acordo entre estes partidos para apoiá-lo em 2018 e abrir uma batalha campal contra a Lava-Jato. Em quem confiar?

Enquanto Atenienses e Espartanos estão em guerra, aventureiros começam a surgir no cenário político brasileiro. Alguns já estavam em cena a muito tempo, mas agora veem o momento oportuno para se lançarem a Presidência da República. Um deles é Jair Bolsonaro. Este aventureiro, outsider, anti-stablishment, como queiram, deve saber que para este caminho não basta afagar farda de milico e carregar consigo no bolso Manual de Escoteiro Mirim. Tem que ter $$, dialogar e não-ser-político.

O caminho está sendo pavimentado para João Dória, atual prefeito de São Paulo. Seus rivais internos, Serra, Aécio e Alckimin estão no esquema Odebrecht e dificilmente sairão ilesos, mesmo se, porventura (ironia), comprovarem inocência. Afirma não ser político e sim um gestor. Utiliza marketing e estratégias discursivas para consolidar a imagem de um líder empresário, aquele que não tem medo de sujar a camisa Polo Ralph Lauren e vai no “chão de fábrica” ajudar o proletariado (ainda existe, pasmem). Há a possibilidade de que em 2018 Dória deixe a prefeitura nas mãos de seu vice e se lance na corrida presidencial. Para tanto, já bate em seu maior rival Lula da Silva desde que começou a gestão.

“tá tudo bem”

Vale a pena?

– Não seria bater cachorro morto? — diriam alguns ressabiados.

– Tem que exterminar esse cretino! — diriam outros exaltados. O cara ressurge das cinzas, isso é indubitável.

– Em quem vamos confiar, então? Dória? Ciro? Marina? Bolsonaro? Na elite? No povo?

– No povo.

– Naquele mesmo povo dividido de outrora?

Pois é… complexo, não? Por hora, fingimos que está tudo bem.

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