Tristeza, Nostalgia, Alegria

Aquele lugar que marcou a infância

Sabe aquele lugar para onde você ia quando criança durante as férias dos seus pais, encontrar com seus primos e se divertir o dia todo? 
Pois é. Visitei-o recentemente e foi isso que encontrei.

Me partiu o coração :(

Tenho lembranças de lá desde que tinha 4 anos de idade, pelo menos. Me lembro quando meu irmão e meu primo caíram de um cavalo e tiveram que ir às pressas para um hospital na cidade mais próxima. O alpendre para onde íamos sempre que ouvíamos barulho de carro no horizonte.

Lá aprendi que água fervente queima depois que derramei em mim mesmo um copo que minha avó estava fervendo para fazer café. Aprendi que pimenta arde os olhos (achava aquelas frutinhas tão coloridas). Aprendi como se faz linguiça com tripa de porco (e nem por isso parei de comê-las). Aprendi a fazer carrinhos com lobeira. Aprendi a amolar canivetes (e a tirar sujeira debaixo das unhas com ele). Aprendi a fazer cigarro de palha (e fumava junto ao meu avô, claro que não tinha fumo, só a palha). Aprendi a debulhar milho. Aprendi a jogar truco. Aprendi a explorar e andar no meio do mato. Aprendi sobre folia de reis. Aprendi como é ter um bicho-de-pé. Aprendi como é ter um bicho-de-pé até ele virar uma batatona. Aprendi como um frango vem para nossa mesa. Aprendi a subir nas árvores. Aprendi a andar a cavalo. Aprendi como se faz pamonha. Aprendi a compartilhar as coisas. Aprendi que a vida é muito mais simples do que imaginamos.

Ver os cômodos da casa ali, todos sendo consumidos pela natureza, me trouxe a lembrança exata de como era a casa que eu imaginava ser muito maior. Me lembro exatamente da disposição dos móveis, camas, cor do piso, cor das roupas de cama, situações, festas... Lembro do “tô lanja”, meu fiel cobertor de cor laranja. Me lembro das rosas logo na entrada da casa, tão bem cuidadas por minha avó. Também me lembro dela gritando "meu pintim de granja" quando eu usava meu fiel uniforme branco (até hoje ela me chama assim). Me lembro do curral onde meu avô ficava grande parte do dia. Me lembro da garagem do fusca verde que meu avô dirigia tão mal, hoje resistindo ao tempo. Da cisterna onde pegávamos água, do galinheiro, dos "mí de grilho" que comíamos no meio do mato, dos coquinhos …

Garagem do fusquinha verde

São tantas as lembranças que chega a ser difícil listar todas elas.

Lá eu tinha um fascínio tremendo com fogo. Ficava direto do lado da fornalha, espiando, mexendo na lenha e ouvia direto que eu ia mijar na cama por causa daquilo. Hoje, a fornalha me lembra as ruínas de Angkor Wat no Camboja, com árvores crescendo dentro de si.

Fornalha que, segundo as mães, tias e avós, era tida como motivo para mijar na cama
Em Angkor Wat, Camboja

É muito triste e me causa um sentimento ruim ver aquela casa em que passei tantos momentos bons, destruída, sem vida. Não sei explicar. Parece uma mistura de perda, saudade, tristeza, pesar.

Porém, é muito bom ver que minha infância foi única e espetacular!