Autocompaixão: O quanto dela você tem consigo mesmo

Kristin Neff, uma das principais referências em autocompaixão no mundo hoje, nos explica:

“O principal problema é que para se ter uma autoestima elevada é preciso sentir-se especial e acima da média.
Ser chamado de “mediano” é considerado um insulto em nossa cultura. (O que achou do meu desempenho ontem à noite? Foi mediano. Opa!) Claro, obviamente é impossível que cada ser humano no planeta seja acima da média, ao mesmo tempo.
Então, desenvolvemos o que é conhecido como um “viés de auto-aprimoramento”, que se refere à tendência de nos acharmos superiores aos outros em uma variedade de dimensões.
Essa necessidade de se sentir superior resulta em um processo de comparação social, no qual continuamente tentamos nos sobressair e desvalorizar os outros.”

Fora a constante comparação social, a obsessão pela autoestima nos envolve num processo de severa autocrítica.

Quando algo que nos faça sentir menos superiores acontece, nossa dignidade despenca. Passamos a oscilar entre picos e vales emocionais, ora nos vendo como os reis da montanha, ora como o mosquito do coco do cavalo do bandido. Naturalmente, isso nos deixa mais vulneráveis a sentimentos de ansiedade, insegurança e depressão.

Mas a alternativa então seria dispensar a autoestima e nos sentirmos pior, sem aquela confiança costumeira que gostamos de exibir por aí? E sem a crítica severa, será que não vamos nos tornar pessoas complacentes, que avançam vagarosas pela vida?

Nada disso. A resposta é a autocompaixão!

Nas palavras da mesma Kristin Neff:

“Que tal nos sentirmos bem com nós mesmos, sem a necessidade de sermos melhores do que os outros, evitando o narcisismo/auto-reprovação?
Autocompaixão envolve sermos gentis com nós mesmos, quando a vida dá errado ou notamos algo sobre nós que não gostamos, em vez de sermos frios ou severamente autocríticos.
Ela reconhece que a condição humana é imperfeita, assim, nos sentimos conectados aos outros quando falhamos ou sofremos, em vez de nos sentirmos separados ou isolados.
Envolve também a conscientização — o reconhecimento e a aceitação imparcial das emoções dolorosas no momento em que elas surgem. Ao invés de suprimir nossa dor, ou então torná-la um drama pessoal exagerado, vemos a nós mesmos e a nossa situação claramente.
Autocompaixão não exige que nos avaliemos positivamente ou que nos vejamos como melhores do que os outros. Pelo contrário, as emoções positivas da autocompaixão surgem exatamente quando a autoestima cai. Quando não atendemos as nossas expectativas ou falhamos de alguma forma.”

26 perguntas para descobrir quanta compaixão você tem consigo mesmo

No link abaixo, você deve ler atentamente e se perguntar o quanto se identifica com cada uma das afirmações da lista. Utilize a escala de 1 a 5.

  1. Quase nunca
  2. Ocasionalmente
  3. Metade das vezes
  4. Frequentemente
  5. Quase sempre

Após marcar todas as opções, vá ao final da página e clique em “calculate scores” para ter o seu resultado.

Se o resultado for entre 1 e 2.5, sua autocompaixão é baixa. Entre 2.5 e 3.5 é média. E de 3.5 a 5 é alta.

Apesar da aparência tosca da página do teste, a metodologia por trás vem de uma das pesquisadoras mais sérias que hoje se dedicam ao tema — não deixe de fazer!


As afirmações do teste acima, você pode conferir aqui:

  1. Sou desaprovador e julgador com minhas próprias falhas e inadequações.
  2. Quando estou me sentindo pra baixo, tendo a ficar obsessivo e me fixar em tudo que está errado.
  3. Quando as coisas estão indo mal para mim, vejo as dificuldades da vida como algo que todos atravessam.
  4. Quando penso sobre minhas inadequações, tendo a me sentir mais distante e separado do restante do mundo.
  5. Tento ser amoroso comigo quando estou passando por dores emocionais.
  6. Quando falho em algo importante para mim, sou consumido por sentimentos de inadequação.
  7. Quando estou me sentindo pra baixo e triste, me lembro que há muitas outras pessoas se sentindo exatamente assim agora.
  8. Quando as coisas estão realmente difíceis, tendo a ser duro comigo mesmo.
  9. Quando algo me irrita tento manter minhas emoções em equilíbrio.
  10. Quando me sinto inadequado de algum modo, tento me lembrar de que sentimentos de inadequação são compartilhados pela maioria das pessoas.
  11. Sou intolerante e impaciente com aspectos de minha personalidade dos quais não gosto.
  12. Quando estou passando por um período difícil, me dou o carinho e ternura de que preciso.
  13. Quando estou triste, tendo a pensar que a maioria das pessoas estão mais felizes do que eu.
  14. Quando algo emocionalmente dolorido acontece, tento ter uma visão equilibrada da situação.
  15. Tento pensar em minhas falhas como parte da própria condição humana.
  16. Quando noto aspectos de mim que não aprecio, tendo a ser duro comigo mesmo.
  17. Quando falho em algo importante para mim, tento manter as coisas em perspectiva.
  18. Quando estou realmente me esforçando muito, tendo a pensar que as outras pessoas estão conseguindo as mesmas coisas com mais facilidade.
  19. Eu sou gentil comigo mesmo quando estou atravessando períodos de sofrimento.
  20. Quando algo me irrita sou levado pelos meus sentimentos.
  21. Posso ser um bocado coração gelado comigo mesmo quando estou sofrendo.
  22. Quando estou me sentindo triste, tento observar meus sentimentos com abertura e curiosidade.
  23. Sou tolerante com minhas próprias falhas e inadequações.
  24. Quando algo emocionalmente dolorido acontece, tendo a enxergar o incidente maior do que ele realmente é.
  25. Quando falho em algo importante para mim, tendo a me sentir sozinho em meu fracasso.
  26. Tento ser paciente e compreensivo com os aspectos de minha personalidade dos quais não gosto.

Escrito por Guilherme Valadares
Publicado em Papo de Homem