Quem sofre de ansiedade percebe o mundo de maneira diferente

Joel Barish e Clementine Kruczynski — Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças

Não dá para discutir com a ciência: as pessoas não podem ser responsabilizadas por ter doenças mentais. Quem ainda acredita na ideia antiquada de que doenças mentais são coisas “que só existem na cabeça das pessoas” tem mais um motivo para parar de acreditar nesse mito.

Segundo um novo estudo, quem sofre de ansiedade percebe o mundo de um jeito diferente — e isso se explica por variações no cérebro. Tudo tem a ver com a capacidade dele se reorganizar e formar novas conexões. Essas mudanças ditam como a pessoa responde a estímulos, e foi descoberto que pessoas diagnosticadas com ansiedade têm menos propensão a distinguir entre estímulos “seguros” (neutros) e estímulos ameaçadores.

Os cientistas descobriram que as pessoas que sofrem de ansiedade criam novas conexões entre neurônios de forma mais duradoura depois de uma experiência emocional (ou “estímulo”).

Isso significa que o cérebro era incapaz de distinguir situações novas e irrelevantes de algo que é familiar e não-ameaçador, resultando em ansiedade. Em outras palavras:

As pessoas ansiosas tendem a generalizar demais as experiências emocionais, sejam elas ameaçadoras ou não.

Mais importante, observam os pesquisadores, essa reação não é algo que esteja no controle dos indivíduos ansiosos, porque se trata de uma diferença fundamental do cérebro.

No estudo, os pesquisadores treinaram os indivíduos a associar três sons específicos com um de três resultados possíveis: perder dinheiro, ganhar dinheiro ou ficar na mesma. 
Na fase seguinte, os participantes ouviram cerca de 15 tons e identificaram se já tinham ouvido os sons antes ou não.

A melhor maneira de “ganhar” o jogo era não confundir ou generalizar os novos sons em relação aos que eles já tinham escutado antes. Os autores descobriram que as pessoas com ansiedade tinham maior propensão a achar que um som novo era uma repetição.

“Os traços da ansiedade podem ser completamente normais e até benéficos do ponto de vista da evolução. Mas um evento emocional, mesmo que de pouca importância, pode induzir mudanças no cérebro que podem levar a um transtorno de ansiedade”, disse o pesquisador Rony Paz em um comunicado.

A nova pesquisa é um lembrete de que as pessoas não podem ser responsabilizadas por ter doenças mentais; as evidências indicam que a saúde mental tem raízes genéticas (hereditárias).

Apesar de um crescente conjunto de pesquisa, as doenças mentais ainda são cercadas por estigma. Segundo o CDC, órgão do governo americano, apenas 25% das pessoas que sofrem de doença mental acreditam que os outros compreendem suas experiências.


Escrito por Lindsay Holmes
Publicado em The Huffington Post