Iron Maiden e a História (parte 1)

Capitaneado pelo baixista Steve Harris e o vocalista (e historiador) Bruce Dickinson, o Iron Maiden tem nos brindado com aulas de História em formato de música. Desde o primórdio da banda na década de 1970, é comum encontramos letras que relatam fatos históricos — sendo muitas delas sobre guerras— em seus discos. Nesta primeira parte, falarei sobre as músicas lançadas até o fim da década 1980.
O casamento da Donzela com a História existe desde os seus primórdios. Em 1979, na icônica demo The Soundhouse Tapes, a banda já abordava musicava acontecimentos históricos. A faixa “Invasion” fala sobre a invasão dos Vikings em território Bretão no século IX.
“The Norsemen are coming
The Norsemen are coming
The warnings are given
The Norsemen are coming”
Em 1981, no álbum Killers, a banda apresentou a canção “Genghis Khan”. Apesar de instrumental, a música faz referência ao conquistador mongol que entre 1200 e 1227 dominou uma área de 20 milhões de m².
Os vikings figuraram novamente em uma canção da banda em 1982, no disco The Number Of The Beast. “Invaders” é uma espécie de continuação de “Invasion”, já que aqui fala-se sobre a derrota dos saxões para os “poderosos homens do norte” depois de uma batalha sangrenta.
“The smell of death and burning flesh
The battle weary fight to the end
The Saxons have been overpowered
Victims of the mighty Norsemen”
Ainda no mesmo disco, a Donzela trouxe à tona o lado sombrio da conquista dos colonos norte-americanos das terras que até então pertenciam aos nativos. “Run To The Hills” fala de todo o horror praticado pelos colonos que não mediram esforços — queimando vilas e matando índios — para dominarem o local.
“White man came across the sea
He brought us pain and misery
He killed our tribes, he killed our creed
He took our game for his own need”
Um dos maiores hinos da banda, “The Trooper”, presente no disco Piece Of Mind (1983), mostra as reflexões de um soldado pronto para a morte na guerra. A letra foi baseada no poema “The Charge of the Light Brigade”, de Alfred Lord Tennyson. O poema fala sobre a ação da Brigada Britânica na Batalha de Balaclava (outubro de 1854) durante a Guerra da Crimeia (1853–1856).
“The bugle sounds and the charge begins
But on this battlefield no one wins
The smell of acrid smoke and horses breath
As I plunge on into certain death”
E no mesmo disco, em “Quest For Fire”, o Maiden narrou sobre as batalhas entre tribos pré-históricas pelo domínio da única fonte de luz e calor disponível: o fogo.
“Then the tribes they came to steal their fire
And the wolves they howled into the night
As they fought a vicious angry battle
To save the power of warmth and light”
No ano seguinte, em 1985, o então quinteto britânico assombrou o mundo com o aclamado disco Powerslave, que abre com um dos maiores hits da banda: “Aces High”. A canção fala sobre as épicas batalhas aéreas entre os aviões nazistas da Lufftwaffe e os aviões britânicos da Royal Air Force (RAF) na II Guerra Mundial. Durante a World Slavery Tour, os shows tiveram como introdução o histórico discurso do ex-primeiro ministro inglês Winston Churchill antes da execução de Aces High.
“Bandits at 8 o’clock are moving behind us
Ten ME-109’s out of the sun
Ascending and turning, our spitfires to face them
Heading straight for them I press down my guns”
Outro grande hit, “2 Minutes To Midnight” nos remete ao Relógio do Juízo Final durante a Guerra Fria. Em 1947, renomados cientistas criaram esse relógio para controlar a iminência da extinção da raça humana causada por uma possível guerra nuclear entre Estados Unidos e a então União Soviética. Quando lançado, o dispositivo marcava sete minutos para meia-noite. Em 1953, após pesados testes feitos pelas duas nações, o relógio marcou dois minutos para a meia-noite, ou seja, bem próximo do Fim do Mundo.
“2 minutes to midnight
The hands that threaten doom
2 minutes to midnight
To kill the unborn in the womb”
No disco Somewhere In Time lançado em 1986, o Iron Maiden contou a história do conquistador Alexandre, o Grande durante os anos 300 a.C. A letra discorre desde o seu nascimento na Macedônia até sua morte de febre na Babilônia, passando pelas batalhas contra os sumérios, os egípcios e a esmagadora vitória contra o exército do rei Darius III, no Rio Tigre, na Batalha de Arbela.
“Near to the East in a part of ancient Greece
In an ancient land called Macedonia
Was born a son to Philip of Macedon
The legend his name was Alexander”
Nessa primeira década, apenas o debut autointitulado Iron Maiden (1980) e o disco Seventh Son Of A Seventh Son (1988) não continham letras voltadas para acontecimentos históricos.
