Os 15 anos de Dance Of Death
Disco foi o segundo lançado pela banda após retorno de Bruce Dickinson e Adrian Smith; capa ainda é apontada como uma das mais feias do Metal

O Iron Maiden havia retomado o posto de maior banda de Heavy Metal depois do retorno com o aclamado Brave New World (2000) e sua gigantesca turnê que teve como ponto final a apresentação histórica no Rock In Rio III em janeiro de 2001. Era hora, então, de manter-se no alto do pódio. Assim, no dia 8 de setembro de 2003, era lançado o álbum Dance Of Death.
ANTECEDENTES
O sucesso estrondosos de público e crítica com o Brave New World recolocou o Iron Maiden nos holofotes. A banda aproveitou toda essa atenção dada pela mídia e em maio de 2003 voltou à estrada com a turnê Give Me Ed… ’Til I’m Dead para promover seu novo DVD com todos os clipes lançados pela Donzela até então.
A tour rodou pela Europa e América do Norte, passando por grandes festivais como Download Festival, Roskilde Festival, Rock Am Ring, Graspop Metal Meeting e etc. No meio de clássicos das décadas de 1980 e 1990, o Iron Maiden aproveitou para divulgar seu novo single presente no então vindouro Dance Of Death. A música escolhida foi Wildest Dreams.
>> Assista ao show completo no Rock Am Ring 2003
A canção, composta por Adrian Smith e Steve Harris, novamente agradou o público e a mídia por conta dos seus riffs empolgantes e velocidade característica da Donzela. O single Wildest Dreams foi lançado no dia 1° de setembro e chegou ao 1° lugar na Finlândia e ao 6° na Inglaterra de acordo com o UK Singles Charts.
Para divulgar o novo single, a banda topou participar do aclamado Top Of The Pops, da BBC, onde tocou no playback no melhor estilo Domingão do Faustão: a banda toda fake e apenas o vocal de Bruce Dickinson ao vivo.
>> Assista a apresentação da banda no Top Of The Pops
DANCE OF DEATH

O cenário estava preparado para o Iron Maiden continuar assombrando o mundo em 2003 e 2004, mas o vazamento da capa do disco quase pôs tudo a perder. A arte desenhada por David Patchett foi considerada “vazia” pelo empresário Rod Smallwood, que pediu para que outro artista mexesse no desenho de Patchett. O resultado final ficou, para sermos bonzinhos, horroroso. O fiasco foi tanto que David pediu para não ser creditado como autor na arte final.

Entretanto, o pavor causado pela capa ficou só ali mesmo. O lançamento mundial do álbum no dia 8 de setembro manteve o Iron Maiden no topo. O sucesso foi global, e o disco foi o segundo mais vendido na Inglaterra. No Brasil, Dance Of Death recebeu Disco de Ouro pela venda de 50 mil cópias. Na Alemanha, as vendas ultrapassaram a casa dos 100 mil.
A produção de Kevin Shirley, que estava em seu segundo trabalho com a banda, deixou as músicas mais “sujas” e pesadas. As guitarras de Adrian Smith, Janick Gers e Dave Murray tiveram mais destaque. Bruce Dickinson arriscou-se em notas mais altas — e soou de forma estranha em alguns momentos — em várias canções. As grandes surpresas, porém, ficaram por conta de Nicko McBrain: o baterista participou da composição chamada New Frontier, sua primeira em mais de 20 anos de banda, e utilizou também pela primeira vez um pedal duplo na canção Face In The Sand.
O single Rainmaker foi lançado no dia 23 de novembro acompanhado de um vídeo clipe muito interessante. O último single, No More Lies, saiu apenas 29 de março de 2004 no EP Box No More Lies — Dance of Death Souvenir EP, que vinha numa caixa luxuosa contendo além do CD, um encarte com muitas fotos da banda e uma munhequeira utilizada pelos integrantes.

O álbum, que foi gravado totalmente de forma analógica e em fitas, manteve o nível musical do seu antecessor. Além das já citadas e que saíram em formato de single, outras canções merecem destaque:
Montsegur: Pesadíssima canção composta por Dickinson, Harris e Gers que retratava o massacre de Cátaros no castelo de Montségur, na França. Aqui, o vocalista arriscou-se nos tons altos.
Dance Of Death: A faixa-título conta sobre um homem que por acaso descobriu um ritual de invocação aos mortos e, sem ter muito o que fazer, foi obrigado a participar e dançar com a morte.
“E eu dancei, pulei e cantei com eles/Todos tinham a morte em seus olhos/Figuras sem vida/Todos eles eram mortos-vivos/Eles vieram do Inferno”
New Frontier: A primeira composição de Nicko McBrain no Iron Maiden é uma música no melhor estilo da Donzela. Rápida, com riffs marcantes e refrão grudento, a canção fala sobre clonagem e engenharia genética.
“Além da nova fronteira/Brincando de Deus sem piedade e sem medo/Crie uma besta, faça um homem sem alma/Vale a pena o risco de uma guerra entre Deus e homem?”
Paschendale: Mais um tema épico inspirado na História. A canção composta por Smith e Harris foi inspirada na Batalha de Passchendaele — ou A Terceira Batalha de Yepres — ocorrida na Primeira Guerra Mundial. Em diversas entrevistas o vocalista Bruce Dickinson disse que, ao ouvir as frases de guitarra compostas por Smith, “era possível ouvir uma chuva de bombas caindo no campo de batalha”.
“Em um campo estrangeiro ele se deita/Soldado solitário, túmulo desconhecido/Em suas palavras agonizantes ele pede/Conte ao mundo sobre Paschendale”
Journeyman: Sem medo de arriscar, a Donzela gravou uma música inteiramente acústica — que ganhou uma versão elétrica no EP No More Lies. A canção dividiu opiniões: os fãs mais radicais diziam que ele nada mais era que “Sérgio Reis no seu pior momento” e a outra parcela dos fãs adorou a novidade. Não se sabe o quanto as críticas negativas pesaram, mas nenhuma outra música acústica foi lançada pela banda até então.
DEATH ON THE ROAD

A turnê mundial de promoção do álbum foi curta. Pouco mais de 50 shows foram realizados entre outubro de 2003 e fevereiro de 2004 passando por Europa, Ásia, América do Norte e Sul. E foi durante a turnê que as “picuinhas” com o Metallica se intensificaram.
Os americanos cancelaram uma turnê que passaria pelo Brasil alegando cansaço e estresse. Ciente disso, diante de 45 mil pessoas no Pacaembu, Bruce Dickinson espinafrou a banda durante seu discurso para deleite dos presentes. Um sonoro “Ei, Metallica, vai tomar no cu” pôde ser ouvido. Vale dizer que, segundo Dickinson, suas alfinetadas no Metallica nada mais eram do que uma forma de promover o Maiden.
Aliás, os shows no Brasil foram caótico. Em São Paulo, um empurra-empurra no gargarejo estava esmagando algumas pessoas na grade. Dickinson deu um esporro na platéia pedindo que o tumulto parasse, pois ele “ficaria muito puto se alguém saísse dali direto pro cemitério”.
No Rio, a pele do bumbo da bateria do Nicko rasgou e o show ficou parado por quase 10 minutos para que os roadies pudessem trocá-la. Enquanto isso, desinibido que é, Dickinson entreteve os fãs cantarolando a peça clássica “William Tell” (1829), de Gioacchino Rossini.

Para celebrar e registrar a bem sucedida turnê, a banda lançou o CD/DVD ao vivo Death On The Road nos dias no dia 25 de agosto de 2005 e 6 de fevereiro de 2006 respectivamente. O show foi gravado na Westfallenhalle Arena, em Dortmund, na Alemanha, ainda em 2003. O detalhe é que dá pra perceber Dickinson visivelmente gripado e cantando anasalado.
O DVD 2 é recheado de extras interessantíssimos. Há um documentário de aproximadamente 75 minutos mostrando o processo de gravação o disco Dance Of Death, além de entrevistas com os integrantes da banda e declarações dos roadies e equipe de produção sobre a turnê.
FICHA TÉCNICA
Nome: Dance Of Death
Lançamento: 8 de setembro
Período de Gravação: Janeiro/Fevereiro de 2003
Estúdio de gravação: Sarm West Studios (Londres)
Produção e Co-Produção: Kevin Shirley e Steve Harris
Gravação e Mixagem: Kevin Shirley
Masterização: Tim Young
