Parabéns pra vocês!
Clássicos do Iron Maiden, Judas Priest e Helloween fizeram aniversário nos meses de setembro e agosto respectivamente

Setembro demorou, mas chegou. E com ele, além da primavera que se aproxima, dois discos clássicos do Heavy Metal fazem aniversário: Powerslave, do Iron Maiden, e Painkiller, do Judas Priest, ambos lançados exatamente neste 3 de setembro, completam 34 e 28 anos respectivamente. Quem também comemorou aniversário no dia 29 de agosto foi o Keeper Of The Seven Keys Pt. 2, do Helloween. Há 30 anos era inaugurado o Power Metal. Falei um pouco sobre este três discos e contei minha experiência pessoal com eles.
PAINKILLER (1990)

O Judas Priest já era o JUDAS PRIEST graças à sua consolidada carreira nos anos 1970 e 1980 — mesmo com alguns deslizes — e entrou na década de 1990 tentando inovar. E inovou. Painkiller apresentou um Priest flertando com o Thrash e Speed Metal, sendo este disco considerado um marco dentro do segundo estilo.
Para trabalhar no álbum a banda chamou o renomado produtor Chris Tsangarides, responsável por trabalhos com o Black Sabbath, Ian Gillan, Bruce Dickinson, Overkill, King Diamond, Thin Lizzy e etc. Don Airey, tecladista do Deep Purple, emprestou seu classe ao Priest na canção A Touch Of Evil.
A capa desenhada pelo artista Mark Wilkinson traz a imagem de um anjo ‘metálico’ em uma moto num formato de dragão com rodas de serra. O anjo, conforme disseram os integrantes da banda, nada mais é do que a versão moderna do personagem alado presente na capa do segundo disco do Priest chamado Sad Wings Of Destiny.

O disco, que vendeu aproximadamente 2 milhões de cópias ao redor do mundo, foi indicado ao Grammy na categoria Melhor Performance de Metal em 1991. Apesar de todo o sucesso — o Priest se apresentou na segunda edição do festival Rock In Rio no Maracanã — o vocalista Rob Halford decidiu abandonar o barco e seguir em carreira solo.
>> Assista a apresentação do Judas Priest no Rock In Rio II
A importância do Painkiller é tamanha nos anos 1990 que gerou duas bandas que viriam a tornarem-se mundialmente reconhecidas: Gamma Ray, capitaneada pelo ex-Helloween Kai Hansen, e Primal Fear, do baixista Mat Sinner e do vocalista Ralf Scheepers (Ralf foi o responsável pela voz do Gamma Ray na sua primeira formação).
A banda de Kai Hansen adicionou muita melodia em sua música, mas o Primal Fear mantia-se tão fiel ao Judas Priest que seu som era idêntico nos primeiros álbuns. Desta forma, a banda recebeu o apelido de Judas Priest Alemão.
POWERSLAVE (1984)

É possível afirmar que nenhuma banda brilhava mais do que o Iron Maiden na década de 1980 dentro do Heavy Metal. O sucesso alcançado com o disco The Number Of The Beast (1982) elevou o quinteto do East End londrino ao topo do Heavy Metal.
Abrindo com a magistral Aces High e encerrando com a épica Rime Of Ancient Mariner baseada no poema homônimo de Samuel Taylor Coleridge (1772–1834), o álbum produzido por Martin Birch apresentou um Iron Maiden afiado nas composições. A dupla Adrian Smith e Bruce Dickinson foi responsável pela imortal 2 Minutes To Midnight.
O álbum teve boa repercussão nos charts, ocupando a 2° posição nas paradas britânicas e a 21° no top 200 da americana Billboard. Recentemente, o disco foi apontado como 38° Melhor Álbum de Metal de Todos Os Tempos da revista Rolling Stone.

A capa do disco desenhada por Derek Riggs é tão cheia de detalhes que quem nunca pegou a versão em vinil não vai conseguir ver. Em algum lugar da clássica arte há a inscrição “Indiana Jones esteve por aqui” e um desenho do Mickey.
A turnê que promoveu o disco foi um divisor de águas dentro do Metal. Um gigantesco aparato técnico e cênico recriou em estádios, teatros, arenas e etc, toda a atmosfera egípcia que permeava o álbum. São tantos detalhes no palco — o piso continha hieroglifos — que o mesmo merece um estudo separado.
Sarcófagos e outras peças egípcias dividiram espaço com três Eddies gigantescos. Atrás da bateria havia um Eddie esfinge que se abria e dava lugar para um Eddie mumificado que marcava presença durante a execução da música Iron Maiden. O terceiro, também mumificado, andava pelo palco durante o solo de Powerslave.
>> Assista a apresentação do Iron Maiden no Rock In Rio I
A tour que resultou em 187 shows em 331 dias teve três ápices: a passagem da banda pelo leste europeu durante a Guerra Fria, que culminou no documentário Behind The Iron Curtain; as apresentações soud-out na lendária Long Beach Arena, na Califórnia, que gerou o vídeo/álbum ao vivo Live After Death; e a primeira aparição da banda no Brasil na primeira edição do festival Rock In Rio.
>> Saiba mais sobre o documentário Behind The Iron Curtain
Keeper Of The Seven Keys Pt. 2 (1988)

Nova sensação do Heavy Metal na segunda metade dos anos 1980, o Helloween passou pelo crivo do terceiro álbum que, apesar de ser uma segunda parte, nada tem a ver com a parte 1. Os alemães redefiniram a maneira de tocar Metal — muitos dizem que o Helloween adicionou velocidade às melodias do Iron Maiden — e fundou um novo estilo: o Power Metal.
O novo estilo caiu nas graças do público e da crítica e levou o Helloween ao posto de Deus no cobiçado mercado japonês. Muitas bandas que surgiram posteriormente surfando nesta onda nos anos 1990 fizeram questão de primeiramente conquistar a Terra do Sol Nascente. Dentro de casa, porém, a banda também foi bem conquistando o Disco de Ouro na Alemanha.
Sobre o álbum, Keeper II está a anos luz do seu antecessor. Produzido por Tommy Hansen e com capa de Uwe Karczewski, o disco é muito mais maduro, mais bem trabalhado e havia uma áurea happy sob a banda. Michael Weikath, Kai Hansen e Michael Kiske compuseram como nunca e produziram pérolas eternas do Metal. O Helloween foi open-act do Iron Maiden durante a perna europeia da turnê do álbum Seventh Son Of A Seventh Son. É aquele tipo de evento que quem viu, viu.

A repercussão do álbum foi tão excelente que o Helloween assinou com a gigantesca EMI para o lançamento do seu quarto álbum de estúdio. Antes disso, porém, foi lançado o EP ao vivo Live In The U.K que tem como único defeito não ser duplo.
>> Assista a apresentação do Helloween no Monsters Of Rock ‘88
Infelizmente o Helloween não conseguiu estourar como todos imaginaram que estouraria. Problemas internos minaram o ambiente interno e culminou com a saída do guitarrista Kai Hansen. O quarto disco chamado chamado Pink Bubbles Go Ape já estava bem longe daquilo que a banda fez no passado não muito distante. O álbum seguinte chamado Chameleon teve desempenho pífio comercialmente e a banda foi demitida da EMI. Após isso, mais outros dois baques: o suicídio do baterista Ingo Schwichtenberg e a demissão do vocalista Michael Kiske.
>> Saiba mais em: Precisamos falar sobre o Helloween
HISTÓRIA PESSOAL
Conheci o Iron Maiden por acaso e por pura curiosidade. Estava junto com primo João e meu amigo Thiago ouvindo umas bandas. Vi o CD do Powerslave sobre a mesa e me interessei pela capa. Peguei, comecei a folhear o encarte — achei esquisita as roupas — e me deparei com a enorme letra de Rime Of Ancient Mariner. Demonstrei surpresa, até porque essa a primeira vez que eu via uma música tão grande. Então, como um “anjo que te mostra a luz”, meu amigo perguntou: “Quer ouvir?”. Pronto. Bastaram os acordes iniciais de Aces High pr’eu saber que era aquilo que eu queria. O ano era 1999. Não precisou nem chegar na música que despertou minha curiosidade pr’eu virar fã. O primeiro álbum oficial — até então eu copia tudo em fita K-7 — que tive foi o vinil do Live After Death que comprei do meu primo Rodrigo.
Esse mesmo primo Rodrigo me presentou alguns anos depois com o vinil do Painkiller, do Priest. Já tinha escutado esse álbum em CD graças ao primo João. All Guns Blazing é a minha favorita junto com Metal Meltdown. Lembro que em papos na porta da Skate Rock ouvia coisas do tipo: “Isso não é Judas Priest!”. Devo dizer que essa mesma pessoa adora dizer que “Iron Maiden é tudo, menos Metal”.
Aproveito o espaço aqui para uma cobrança: emprestei o vinil pro Rodrigo e até hoje ele não me devolveu. Alô, primo! Devolve meu vinil aí!
Já o Helloween eu não tive a sorte de saboreá-lo em vinil. Ouvi tudo em CD mesmo e o Keeper II chegou até mim via primo João, mas ele pertencia a pessoa que disse as sandices reproduzidas acima. Lembro-me que fiquei maravilhado com Michael Kiske cantando como um Deus em Eagle Fly Free, com todo o humor em Rise & Fall, com a crítica social foda em We’ve Got The Right e com toda a essência criativa de Michael Weikath na composição de Keeper Of The Seven Keys, a música que encerra o álbum.
DETALHES FINAIS
A letra de Keeper Of The Seven Keys fala da luta de um guerreiro dotado de ética, moral e afins — olha aí, quase um cidadão de bem — contra o mal explicitamente citado como Demônio, Satanás e Lúcifer. Eu não sei o que passou pela cabeça do meu primo João, mas ele tentou justificar a citação a Lúcifer dizendo que o mesmo era como um Deus na Alemanha… Tá.
Evidentemente o Pink Bubbles Go Ape, que foi produzido por Chris Tsangaride na mesma época do Painkiller, está LONGE do nível do Walls Of Jericho e dos Keepers, mas particularmente acho um grande disco. Kids Of The Century, Back On The Steets, Number One, Heavy Metal Hamsters, Goin’ Home, Someone’s Crying e Mankind são maravilhosas. É uma pena o disco ser subestimado.
>> Assista ao Helloween ao vivo na turnê do Pink Bubbles Go Ape
