Meu primeiro Hidromel

Desde que meu irmão começou a fazer cervejas eu comecei a cogitar fazer também, mas sempre fui de dizer que era melhor beber que ter todo o trabalho de fazer — além do mais eu bebia as que ele fazia, então pra que me preocupar? Mas depois que vi que era possível produzir pequenos batches e ser altamente criativo com eles eu comecei a cogitar a ideia de fazer.
Até que um dia eu tomei a decisão de fazer cerveja em casa! Fui, comprei a panela, deixei uma geladeira velha parada pronta pra receber a fermetação de varios mostos e comecei a pesquisar sobre o assunto. A gente pensa que vai ser mil maravilhas, que vai comprar uns maltes, uns (muitos) lúpulos, um fermentinho, jogar uma água e pronto, é só beber. Mas não é fácil fazer cerveja em casa, além de todo o equipamento tem a sujeira, os preço dos insumos e o risco que se corre de contaminação e a perda de todo o batch produzido. Comecei a ver que teria que investir em muito mais que uma panela e uma geladeira pra fazer cerveja.
Um dia, sei lá porque, resolvi pesquisar um pouco mais sobre hidromel, um fermentado de mel que data de 6500A.C. e é muito conhecido por estar presente em literaturas que remetem ao universo Viking, e é por isso que temos que beber hidromel em um copo de chifre.

Depois disso decidi que ia fazer hidromel antes de fazer cerveja, já que o processo era relativamente mais simples que o de cerveja, apesar de mais demorado. Com isso saí em busca do resto do equipamento e dos insumos e comprei o seguinte para começar:
- Panela de 16L
- Balde Fermentador 12L
- Airlock e rolha
- Colher de plástico
- Sanitizador
- 2L de mel, que deu uns 2,93Kg
- Fermento Redstar Champagne
- 200g de uva passa
- Refratômetro
É isso, tinha tudo o que precisava e estava pronto para começar a fazer meu hidromel, no dia 19 de julho de 2015 e a receita viria do Pompeia Hidromeis. Como nem tudo pode ser perfeito o blog do Pompeia estava fora do ar e eu não lembrava a receita muito bem. Eis que busquei um grupo sobre o assunto no Facebook e fui ajudado pra montar uma receita e poder fazer o que tinha planejado. Não queria mais esperar!
A receita que montei seguiu os seguintes passos:
- Ferver os 200g de uvas passa por 15min. A uva passa funciona como nutriente para o fermento, já que eu não encontrei para vender na Malte e Arte, onde comprei meus insumos. Ela precisa ser fervida pois pode vir com microorganismos que vão causar a contaminação do líquido;


- Deixar esfriar para 75ºC e misturar o mel. Com mais de 75º o mel perde o aroma e as propriedades. Deixei o mel em banho maria para ele ficar mais líquido. Enquanto mistura-se o mel é preciso misturar para que o mel não cristalize no fundo;

- Tranferir para o balde fermentador ainda quente, fechar e colocar o airlock. Isso diminui a chance de contaminação, mas ainda assim é precisa sanitizar o balde antes de fazer tudo isso;
- Hidratar o fermento. Com o sachet do fermento em temperatura ambiente, deve-se esquentar 50ml de água (usei o mosto pra isso) até 40ºC — se for mais que isso você vai matar geral — e misturar o fermento com vontade, depois disso deixa descansar por 15min.


- Misturar o fermento hidratado com o mosto a 35ºC. Deve-se sempre lembrar da temperatura para não matar o fermento.
- Fechar tudo e “deixa acontecer naturalmente”. Segundo tudo o que li, a fermentação dura o que durar, então sit back, drink a beer and wait.
Claro que aconteceram alguns problemas no decorrer do processo e a primeira vez não foi perfeita. Depois de hidratar o fermento eu não tinha como resfriar o mosto mais rápido, assim que ela hidratou por mais de 45min antes de misturar no mosto, ao invés dos 15 planejados. Também tive dificuldade com a esterilização, não sabia se devia enxaguar depois ou se era só usar o equipamento. Enfim, com todos os poréns o hidromel está lá fermentando, assim espero.
A OG que cheguei foi de 1088, com uma medição de 22 no refratômetro, então espero um hidromel seco e bem alcoólico. Agora preciso esperar o fermento terminar seu trabalho e vamos ver no que deu.