Em Ritmo de Fuga X Dunkirk: Please don’t stop the music

Diego Edu
Diego Edu
Jul 25, 2017 · 2 min read

A trilha musical pode desempenhar forte papel em um filme, como pode ser visto em Dunkirk e Em Ritmo de Fuga. Ambas as produções desembarcam no circuito brasileiro em 27 de junho e tem praticamente toda sua ação acompanhada por trilha. O que as difere é o efeito causado por tal escolha.

O protagonista de Em Ritmo de Fuga é Baby (Ansel Elgort, de A Série Divergente: Convergente), um motorista de fuga a serviço de um gangster (Kevin Spacey, de House of Cards). O rapaz tem um constante tinido no ouvido, consequência de um acidente em sua infância. Para abafar o ruído, ele está sempre com fones nos ouvidos e uma playlist para acompanhar seu cotidiano.

Como o ponto de vista dele é o adotado pelo filme, o espectador também está sujeito a uma enxurrada de canções. Quando não é a playlist, é trilha composta ou o zumbido incessante. O resultado é um casamento perfeito entre o cinema de ação e os musicais.

Enquanto isso, Dunkirk não tem playlist ou grandes hits. O que nos acompanha é a trilha tensa composta por Hans Zimmer (O Poderoso Chefinho), um dos vários colaboradores frequentes de Christopher Nolan (Interestelar). Em seu trabalho mais recente, o diretor volta à Segunda Guerra Mundial para contar a evacuação de soldados do litoral francês quando os combatentes eram cercados pelos nazistas.

Como em A Origem (2010), Nolan usa tempos narrativos diversos que convergem no final. A trilha é grave e abusa dos subwoofers, a ponto de trepidar a tela e tirar o foco da imagem projetada. Além dos instrumentos musicais, há o som de um cronômetro, com velocidade que varia aqui e ali. Tudo isso funciona para adicionar tensão, mas ultrapassa o limite da redundância.

A trilha se transforma em muleta, usada para sublinhar os dotes de Dunkirk. Os inimigos sem rostos e sem nomes, o constante sentido de alerta e a relatividade do tempo em um senso de urgência estafante. Todo esse exagero soa como falta de segurança cinematográfica.

Mesmo assim, é inegável que Nolan é eficiente. No filme, ele denuncia as mazelas da guerra e as situações-limite são uma alavanca para se explorar as margens da natureza humana, como visto em Batman — O Cavaleiro das Trevas (2008). Ao final da sessão, um estresse auditivo pode ser esperado. Por isso, é aconselhável um programa tranquilo após o cinema.

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