MasterChef 2017: Michele e a ousadia de jogar pelo empate

Na noite de 22 de março, Deborah e Michele disputaram a final da quarta temporada do reality MasterChef. A catarinense levou a melhor por seu talento culinário e por uma estratégia mais ousada. Enquanto Deborah vendia seu conceito de farofas em pratos com ingredientes nobres, Michele preferiu dar brasilidade ao jantar com insumos mais modestos, e mais difíceis de se trabalhar.
Nas entradas, a carioca serviu vieiras, que têm um amplo espectro no quesito ponto, pois podem ser consumidas cruas, mal passadas ou no ponto tido como ideal. Já Michele serviu tutano, rico em colágeno e com a possibilidade de roubar o sabor da preparação. Nos pratos principais, Deborah ousou ao dar algum protagonismo ao chuchu, um vegetal que é tido como praticamente um sinônimo de insosso — mas acompanhado de um belo medalhão de lagosta. Michele fez uma espécie de braciola de cupim, com palmito como recheio que emulava osso. Para finalizar, Deborah serviu um folhado de tangerina, com massa industrial, enquanto Michelle fez um tartare tropical de abacaxi com hortelã.
Deborah usou atalhos e ingredientes nobres contra uma oponente muito mais ousada. Assim, em caso de igualdade no quesito sabor, Michele levaria a melhor por conta do risco assumido e da criatividade demonstrada. No final das contas, Michele jogava pelo empate.
Em noite inspirada, as cozinheiras encantaram os jurados que só foram capazes de tecer críticas pontuais às performances de ambas. Com esse cenário, a vitória de Michele era inevitável.
Tal postura infeliz de Deborah já havia sido demonstrada em episódios anteriores. Quando a equipe que ela capitaneava foi derrotada, a cozinheira não hesitou em salvar a própria pele da eliminação. Mais adiante, quando a turma do mezanino deu dicas a competidores em uma prova de confeitaria, Deborah lançou mão do termo “meritocracia”, palavrinha com mania de surgir sempre que privilégios são arranhados.
Portanto, ao considerar os histórico das cozinheiras, o troféu foi entregue por méritos culinários, mas também premiou uma personalidade mais ética.