
Quem acompanha a cobertura jornalística e crítica na área de cinema feita pelos sites brasileiros certamente conhece o Papo de Cinema, pelo menos de ouvir falar. Para esse povo, explico. Fundado no Rio Grande do Sul, o site conta com um time enorme de colaboradores em sua grade crítica (eu incluso) e uma equipe dedicada ao site em si (que inclui o pessoal de redação e oportunidades de estágio) capitaneada por um grupo de editores. O fundador é Robledo Milani, que lidera esse patrimônio crítico até hoje. Marcelo Müller, diretamente do Rio de Janeiro, é o “editor exilado”, dividindo seu tempo e energia entre as demandas do site e aulas de cinema. O que era bacana ficou ainda mais encorpado nos últimos meses por conta de dois reforços de fazer inveja em qualquer um que deseja estofo para dar conta de uma linha editorial séria e especializada quando o assunto é cinema.
Esse movimento se deu em consequência do desmanche do quarteto de editores que estava a frente do carioca Adoro Cinema, gigante nesse mercado. Lucas Salgado foi o primeiro a sair, agora com colaborações ao Cine Pop, site do interior de São Paulo. Depois foi a vez de Bruno Carmelo, editor alocado em São Paulo, que foi o primeiro a reforçar as linhas do Papo de Cinema, que agora tem um profissional pra lá de capacitado aqui pela terra da garoa. Eu mesmo já fui correspondente do Papo por aqui. Portanto, dizer que estive em cargo semelhante do gênio Bruno Carmelo faz um bem danado pro ego do caboclo aqui.
Recentemente foi a vez de Francisco Russo sair do Adoro Cinema e entrar pro Papo. Ele mesmo que fundou o site quando era apenas um veículo independente para cobrir principalmente o Festival do Rio. Sei que o Adoro Cinema mantém em seu quadro profissionais de valor e inteligência, além de contratações mais ou menos recentes, mas confesso que não curto muito os rumos editoriais que deve seguir tomando. Tudo por um clique, com cada vez menos espaço para reflexões.
Voltemos ao papo sobre o Papo! Francisco tem mudança marcada para ano que vem, quando cruzará o Atlântico para viver em Lisboa, tornando-se assim editor internacional do site. Chique demais, meu povo! Tudo isso não acontece de graça. Tem custos aí bem fortes. O Papo tem algumas fontes de renda, mas não aquele patrocínio joia de alguma empresa com consciência social sobre suas verbas de publicidade (existe isso?). Se eles não ajudam, cabe à sociedade! Pois bem, é a partir da posição estratégica que Russo terá em 2020 que queria pensar aqui de que formas a gente pode fortalecer o trampo desse dream team, a despeito de todo mundo que joga contra.
Primeiro, queridas distribuidoras de cinema. Quando rolar aquela junket bacana lá pelas Zoropa, lembra que o Russo tá ali do lado, na terrinha. Se preciso for, tirem uma vaga para youtuber fazer micagem e passem para o Russo fazer uma entrevista digna!
No caso dos festivais, as coisas estão mais encaminhadas. O Papo já está presente em diversos eventos desse tipo, desde os grandões e tradicionais até aqueles projetos novos e cheios de raça que querem mais janelas para nosso cinema. Como diria um ex-presidente sanguessuga, mas com objetivos escusos, “tem que manter isso aí”. E até aumentar, quando possível!
Agora o recado é para realizadores. Vamos fazer aquelas parceiras bacanudas com o Papo? Vamos lançar trailer primeiro ali, organizar aquela visita de set acolhedora, mostrar cenas dos nossos filmes pra aumentar a repercussão de um lançamento e tal. O mais legal é que o Papo dá a mesma atenção para grandes produções que dá para o cinema independente. Sei que o foco ali é qualidade cinematográfica, graças a São Lumiere!
E os leitores em geral, o que podem fazer? Por enquanto é continuar sendo leitores mesmo. E compartilhando, e comentando, e dando retorno para eles fazerem um trabalho cada vez melhor. No mais, tem gente que gosta de entrar nas redes sociais de sites mercenários e soltar aquele spoiler do bem no peito das postagens clickbait. Sabe? Aquelas que começam mais ou menos assim: “Você não vai acreditar que ator está cotado para viver o super-herói tal na tela grande!” Fazem um puta alarde, mas não tem como saber o nome do diabo do ator sem clicar. Ai o leitor malandro comenta: “É o ator Fulano de Tal.” Pronto, a gente não precisa clicar nessa falta de ética nem se corroer de curiosidade. Não tô dizendo que já fiz isso ou que é um hábito bacana, mas existe um pessoal por aí que se dedica a isso.
Mas voltando a comportamentos mais sérios. Soube que no futuro vai ter uma forma a mais da gente dar aquela ajuda pro Papo de Cinema. Vai rolar assinatura do site. Eles ralam pra caramba para trazer conteúdo massa pra gente. Nada mais justo do que contribuir com nosso dindin pra eles seguirem nessa trilha. Pelo que vejo pela internet, é bem baratinho. Menos do que o pessoal gasta em uma encostada no balcão do Starbucks! Pense nisso. Café a gente consegue fazer em casa com relativamente pouco esforço. Agora ter acesso a conteúdo de qualidade sobre o cinema que a gente ama (dos maiores blockbusters até aquelas descobertas cinematográficas surpreendentes) não tem preço.