O Amor e o Amar

Entre um filme e outro no fim de semana me pego pensando em uma conversa que tive com um amigo mais cedo:

“ Cara,vou me separar da Marcela, não dá pra mim sabe, ela é ótima, mas esse negócio de viver com uma pessoa só hoje em dia não vinga mais”

Pode parecer que há algum problema ,ou falta alguma coisa que mantenha os dois juntos ,mas após alguns minutos de conversa percebo que no final o motivo é realmente o mais raso possível, ele só se cansou de conviver com a mulher que por mais de 8 anos construiu algo , alguém que ele acostumou acordar ao lado e chamar de sua esposa, me pego pensando em como Marcela recebeu a notícia, e como isso é estranho pra mim, confiar em uma pessoa até o dia que acordar ao lado dela não faz mais sentido não deveria ser normal aos meus olhos , e em um estalo mental percebo que muitos amigos já seguiram o mesmo caminho e me pergunto o que está havendo com todos?

Relembro a história de meu avô materno me contando o dia que viu a minha avó , e como ele demorou algumas semanas pra ter a coragem de chama-la pra conversar “Era tudo muito diferente Diego, hoje em dia vocês tem tudo na mão", me pego pensando se é realmente isso que nos faz desvalorizarmos as relações humanas, hoje e tudo muito fácil, algumas semanas que meu avô demorou pra ter a coragem de conversar com minha avó seria tomado hoje por “ Você tem whatsapp?” , conhece-la de verdade diria ele alguns dias mais tarde a mim levou anos ,e diabos como ela era teimosa dizia ele sorrindo lembrando os momentos que eles brigaram porque ele não tinha coragem de se apresentar aos pais dela, ou a birra que ela fez ao dizer pra ele comprar um terreno, esforço esse que levou a ele ceder e construir uma casa que por ventura foi onde criou seus 7 filhos, me pego pensando a diferença que são os relacionamentos antes e hoje, parece que as redes sociais se tornaram a vitrine de relacionamentos rápidos , relacionamentos não se mantém hoje após um dia difícil, afinal para muitos foi só uma oportunidade de várias que já teve e irão ter, se não deu certo com um dará com a outra, muitos procuram o que todos dizem hoje ser contatinhos, o que o próprio nome sugere ser apenas um contato casual, para alguma atração física casual, nos tornamos uma sociedade que procura a todo momento o contato físico e esquecemos o contato espiritual.

Penso nisso, e lembro de como meu avô descreveu o dia que foi conhecer os pais de minha avó,do encontro ele só lembrava o medo que sentia e como ela estava linda usando um vestido azul e um laço rosa na cabeça e ele sempre dizia como o sorriso dela era lindo dizendo isso ele automaticamente sorria e acompanhado a isso escorriam algumas lágrimas em seu rosto algo que ele tentava esconder de mim rapidamente.

Pra mim, o amor nunca foi um conto de fadas da Disney,e muito dessa concepção veio dessas conversas com meu avô, ele dizia como passou dificuldades quando veio pra sp,como ele pensava em desistir inúmeras vezes, mas sempre ao lado dele ele tinha minha avó, que não concordava com a maioria de suas atitudes ,mas sempre o ajudava a enxergar uma pequena luz no fim do túnel, eles viveram 32 anos juntos até a morte de minha avó, e ele nunca mais casou, contava aos seus netos as histórias de quando era novo e queria ser um fazendeiro,ou quando quis ser jogador de futebol, segundo ele até levava jeito, mas de todas as histórias que ele me contava, como conheceu minha avó sempre levava ele a olhar o horizonte relembrando o dia que segundo ele foi um dos mais especiais em sua vida,penso quantas histórias poderiam ter tido um final melhor se aprendessemos a ouvir antes de julgar, vivemos numa sociedade dinâmica que cria e inventa maneiras de nos aproximarmos de quem estamos longe e nos faz esquecer como deveríamos aprender com quem está perto,uma sociedade tão coletiva que nos faz esquecermos como é viver em casal, e o amor morre na falta de paciência ,na falta de interesse , no final se alimentando apenas dos egos daqueles que se esqueceram como é amar.

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