A exaustão – física e emocional – do dia de hoje tá me fazendo recalibrar algumas coisas pra eu tentar reencontrar meu equilíbro. E eu tô aqui me olhando e vendo que de alguma forma eu virei um invasor nessa realidade que eu imagino que a gente tenha – ou esteja tentando ter.

Eu acho que desaprendi o meu lugar nesse processo todo. De alguma forma eu me sinto parte contigo, mas eu não sou. Eu me sinto junto, mas eu não tô. Eu me desequilibrei nessa tentativa de criar um mundo paralelo onde a gente é amigo-amante-cuidador um do outro.

Eu cresci você diante dos meus olhos e acho que desvaneci a minha consciência à procura de sentido pra nossa clandestinidade. Essa coisa meio secreta e obscura que não combina com a claridão dos meus e dos teus olhos.

A gente não é feito de sombra. A gente é colorido e reflete a luz, mesmo tendo luz própria e intensidade. Será que a gente não tá se apagando na tentativa de criar um esconderijo? Ou será que a gente tá vivendo um reframe do mito da caverna?

Eu quero a sua luz no meu dia nublado junto com o café quente que tá ali na bancada, sem precisar pedir pelo amor de deus que não apareça alguém ou então que a gente precise enviesar os olhares por entre os corrimões do nosso esquecimento. Esquecimento de quem a gente é. Do que quer. Sem esquecer que gente nasceu foi pra brilhar.