GUERRA CULTURAL
Lembro que na minha infância passava as férias na casa de minha falecida avó materna, na faixa entre 5 a 9 anos, mais ou menos. A rotina era, ao baixar o Sol, colocar as cadeiras de praia na calçada e ficar até a telha da casa esfriar. Brincávamos na rua, meninos e meninas, de taco, brincadeiras de pique, bola de gude, pipa e de vez em quando surgia uma bola dente de leite que não durava muito tempo. Isso era em Bangu, onde quando ouviamos um tiro era porque havia morrido um. Se ouvíssemos cinco tiros era porque haviam morrido cinco malandros. De um tempo pra cá, os tiros e calibres aumentaram e a cultura da cadeira de praia na calçada e brincadeiras de criança até tarde diminuiram restando aquilo que a TV tinha pra oferecer. Só pegava a merda da Globo e muito mal um SBT chiando. Já em Irajá, na casa de minha outra avó, ela só via o Silvio Santos. Acho que por isso que ela ganhava todo dia no bicho. Dizem que dinheiro chama dinheiro.
Com a perda desse hábito, iniciou-se um processo de individualidade muito grande e a cada família que se mudava e outra que chegava, perdia-se o clima de comunidade, mesmo sendo uma área considerada "asfalto". Passaram-se anos e essa individualidade fortaleceu o escroto estado da psique da sociedade: preguiçosa, invejosa e malandra!
No intermédio disso, ainda tivemos a disseminação do neopetencostalismo, enfraquecendo o Cristianismo e ao mesmo tempo, provocando um processo migratório de religiosos da Umbanda e cultos de Nação(candomblé) para as inúmeras Assembléias que abriam. Aonde quero chegar com esse relato?
Quando Prof. Olavo de Carvalho fala da guerra cultural, precisamos antes entender o que e cultura, como ela foi e o que a ORCRIM(URSAL/Foro de SP/UNASUL) fez com o reordenamento de seu gado!
Falar de Cristianismo em termos de dogma, não serve de porra nenhuma para pessoas, que como eu, cresceram vendo sua avó carregando alguidar e a casa cheirando a dendê! A não ser, que tenha tido sorte de ter outra avó, a que ganhava no bicho quase todo dia, que era católica fervorosa e deixou de herança um quadro do Sagrado Coração de Maria e uma fé cega de que vou "acertar na cabeça"(jogo do bicho).
De maneira geral, houve uma quebra na ordem cultural de forma sutil, mas muito traumática a longo prazo. Poucos perceberam isso e o príncipio de "continuidade", ou seja, manter as tradições da geração anterior, é quase nulo no brasileiro.
Como mudar a cultura, sem ser usando as mesmas estratégias que os três esquemas globais usam? Com hangout e dez reais?
Essa semana, um maluco (sic) da Mangueira, com 10 reais, fez um video e vai palestrar em Harvard, fazendo mais por toda a comunidade da Mangueira, através do incentivo de seu exemplo, que uma televisão virtual que só explora os que procuram respostas.
(Escrito em 13 de agosto)
