Exercício de escrita 1 — Textos sobre nada: A estressante arte de procrastinar e suas consequências

Procrastinar não é uma tarefa fácil e diria que por vezes é demasiado estressante. Imagine um individuo com aguçado senso de responsabilidade, daqueles cujo os cabelos caem da cabeça só de imaginar que não vai entregar aquele power point pronto na segunda-feira. Agora, ainda sobre esse ser ordinário, aplique uma manta de criatura procrastinadora, mas não de qualquer procrastinador, a de um ser cujo o cérebro procura de tudo nas coisas mais vazias para preencher o tempo que deveria ser utilizado em uma atividade útil. Pois bem, o que eu fiz foi dar a definição de procrastinação com uma quantidade maior de palavras que o habitual. Isso é o que faz um procrastinador. Corre atrás do rabo. Discute o sexo dos anjos ou qualquer outro trocadilho que signifique nada produtivo. Agora vamos voltar ao assunto principal. Imagine que o indivíduo que é responsável, e possui essa manta de procrastinação, esteja sempre procurando cumprir adequadamente seus prazos, todavia sempre os cumpre, quando cumpre, da forma mais apertada. Isso o estressa, viver constantemente no limiar do prazo final é uma verdadeira vida de aventuras, um montanha russa de emoções e por vozes uma calamidade emocional. Pois bem, viver nessa celeuma existencial é um fardo que ganha mais peso pelo fato de que tudo é culpa do próprio procrastinador que como um bom ser ciente de suas responsabilidades internaliza a culpa e a rumina, assim criando por toda a vida uma gangrena que se alastra por todos os órgãos até o derradeiro fim.

Nessa gangrena generalizada o primeiro órgão a sofrer é o estômago, receptor maior das infinitas canecas de café e das fortuitas garrafas de álcool. O segundo órgão, como há de se supor com base na oração anterior, é o fígado que pode sofrer mais ou menos a depender da disponibilidade do escaço tempo livre e da contaste vontade de extravasar. O terceiro órgão é o cérebro, tão pesado quanto a mensalidade da academia paga e nunca frequentada. O cérebro nesses indivíduos é um constante inquisidor, lembrando ao procrastinador a sua incompetência em estar fazendo o necessário na hora certa, e desempenha um excelente papel de carrasco ao negar o sono no pouco momento reservado a ele. E o último órgão a sofrer é o coração, mas não pelas artérias entupidas de pizza ou taquicardia do café, não mesmo. Nenhuma extravagância alimentar é pior que a falta de amor, tão negada quanto o sono e tão negligenciado quanto os próprios prazos.