Eu, Daniel Blake (2016)

Lembrei de O Valor de Um Homem (2015) ao ver o filme, os dois retratam burocracias trabalhísticas.

Sei que o filme focou mais na dificuldade dele em conseguir o auxílio e não no desemprego em si, mas acredito que a evolução da tecnologia vai causar muito desemprego. (sem aquela falácia de que surgirão novos empregos paralelamente ao desaparecimento dos antigos). É uma falácia porque não é todo mundo que tem condições ou nasce para aprender a programar ou se tornar um engenheiro, e essas serão as exigências básicas do mercado em um futuro próximo em praticamente todas as áreas. Quando os carros autônomos chegarem por exemplo, motoristas mais velhos além de perder o emprego, não encontrarão alternativas por conta da falta de qualificação, alem do preconceito do mercado com pessoas mais velhas. Mas como disse, não será um problema apenas dos mais velhos, pois nem todo mundo nasce para ser pesquisador. Será uma revolução diferente de todas as revoluções industriais que tivemos anteriormente, porque não envolve apenas uma mudança mecânica, e sim totalmente cognitiva. É uma questão complicada até mesmo para os próprios programadores, que terão suas próprias rotinas automatizadas. É bem complicado.

Mas sobre a burocracia do auxílio desemprego, não sei se entendi muito bem: porque ele não aceitou o emprego quando conseguiu a entrevista? Mas vou tentar responder. Meu pensamento foi que chamam tanto as pessoas desses auxílios de “vagabundo”, que esquecem que é algo que temos direito. Ele trabalhou a vida toda, ele era honesto, ele merecia um descaso, ainda mais com a velhice e sua doença. Por isso acho que isso responde porque ele foi tão longe em busca disso e não aceitou o emprego. Era uma questão de dignidade como o filme mesmo deixou claro. O que eu não entendi foi porque ele não poderia lutar por esses direitos paralelamente enquanto trabalhava, mas tudo bem, era uma questão de honra mesmo. Ele de fato queria ser algo mais que um número de protocolo.

Achei engraçado quando ele reclamava com a central de atendimento (que muitas vezes é terceirizada e não fica nem mesmo no mesmo estado de atendimento). Assim como sua dificuldade em preencher o formulário. Inclusive tem essa história curiosa sobre os bastidores da filmagem:

“Bem fiel ao seu método de provocar os atores, Loach, no primeiro dia de filmagem de Eu, Daniel Blake, lhe deu um formulário para preencher — o mesmo formulário que, na ficção, é entregue a Daniel Blake. “Disse que, simplesmente, não ia conseguir. Era insano. Havia questões muito capciosas, mas que tinham de ser respondidas adequadamente. Imaginei o estresse de uma pessoa naquelas condições. Daria um ótimo esquete de humor, mas, na verdade, é a mais pura tragédia do cotidiano.”

No mais, 20 coisas aleatórias que matam mais que tubarões: (além de cocos)

Obesidade
Raios
Celular no trânsito
Hipopótamos
Aviões
Vulcões
Autoasfixia erótica
Liquidações
Cair da cama
Banheiras
Cervos
Gelo
Cachorro-quente
Tornados
Águas-vivas
Cachorros
Formigas
Futebol americano
Máquinas de venda automáticas
Montanhas-russas

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