Expresso do Amanhã (2013)

É legal o comboio ser uma metáfora para o mundo. Tudo começa escuro e claustrofóbico e depois fica claro e espaçoso com os avanços dos vagões. Os passageiros da alta classe me fizeram lembrar um pouco a distopia do Jogos vorazes. A diferença é que as classes mais baixas não são usadas para a diversão em jogos, e sim tem sua utilidade prática para o funcionamento da “máquina mundi”, assim como acontece no nosso mundo real em companhia do capitalismo.

Há as datas comemorativas como eufemismo do caos apocalíptico que os menos afortunados vivem. Há também a ideia de subir na vida, onde os empregados mais eficientes podem avançar de vagão e deixar para trás sua classe. (Inclusive o personagem principal teve a oportunidade de ascensão e ser um substituto para o Wilford, o qual não aceitou).

Sobre a movimentação do trem, existe meio que uma falácia moderna onde todo o desenvolvimento tecnológico e material precisa progredir, onde o trem da vida precisa estar em constante movimento. O filme meio que aborda essa questão. Será que era realmente preciso estar em movimento? Será que o trem era um refúgio para a sobrevivência naquela era glacial, ou apenas uma locomotiva de luxo para favorecer essas pessoas intituladas especiais? A ideia do trem não surgiu por causa do apocalipse inicialmente, e sim por essa fasciação do Wilford com a ideia do trem, que em vez de unir o mundo em sua proposta, parecia ser algo exclusivo. Inclusive a cena na escola onde é explicado isso é muito boa. Ver como eram educadas as crianças e a reviravolta alá cavalo de troia com as metralhadoras escondidas nos ovos.

Enfim, achei curioso como o filme parece ser uma mistura de um filme coreano com um americano (e de fato é). No meio do filme existe um vilão mais “coreano”, com uma luta bastante agressiva, difícil de se matar. E no final temos o vilão americano, que simplesmente dialoga com o protagonista sobre o enredo do filme.

No mais, lembrei também de Train to Busan (de zumbi, haha) por causa do cenário e as soluções para as cenas de ação entre cada vagão, que as vezes são meio exageradas, mas cumpre um papel impactante, principalmente porque os personagens morrem a cada avanço. Além do mais, há algumas justificativas para certos exageros. Um deles, por exemplo, é que as rebeliões já eram esperadas, algo como uma seleção natural forçada, e que não obteve êxito.

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