Wiener-Dog (2016)

SPOILER! Mais um filme de antologia, e como sempre, tende a mostrar realidades cruas do ser humano. (É meio que uma tendência desse formato). Relatos selvagens, A pequena Morte, Shorts Cuts, Black mirror, Requiem for a dream, Asphalte, Uma noite sobre a terra, Happiness ,e tantos outros…

Acho intrigante como as histórias são simples e cheias daquele humor sútil, meio sádica como a vida (como já escreveu woody-allen certa vez). A proposito, a referência sobre woody allen nesse filme é sobre ele ser homofóbico, frase dita pelos alunos do professor de cinema. Ele é mesmo? Nunca parei para perceber isso em seus filmes, sempre achei que fossem LGBT friendly.

Bem, sobre o filme, o cachorro é o ser perdido nessas tragédias todas. É legal que logo na primeira história já inserem temas que vão se repetir durante todo o filme, em conexões bem sutis. Como a questão do livre arbítrio, sobre o cachorro ter regras de locais onde ele precisa estar (gaiola) e defecar, em conexão com as várias versões da velhinha no final do filme e sua diversas possibilidades de existência ou de escolhas. Ou mesmo a castração do cachorro, em conexão com a incapacidade dos irmãos deficientes de terem filhos. Inclusive a personagem diz: “o cachorro está boa companhia”, o que dá a entender que os personagens deficientes são parecidos com o cachorro, já que eles também não tiveram escolha sobre suas próprias vidas. Aliás, vários dos personagens têm essa ideia, como o garoto e a velha que possuem câncer, a mostrar meio que a fragilidade padrão da existência…

É até inconsistente pensar que mesmo quando um ato de generosidade acontece, como dar granola ao cachorro, isso gera efeitos negativos em formato de diarreia… Inclusive é o apelido dele em boa parte do filme. Os apelidos meio que refletiam o comportamento do Donos, já que a veterinária chamava de “cocô” (talvez porque sua vida fosse vazia ao ponto de roubar o cachorro para trazer-lhe um pouco de felicidade? Felicidade essa que ela procura até mesmo com o bullynador de tempos de escola). E também a senhora idosa que chamava de “Câncer”, em consequência de sua doença terminal.

Tem algumas partes bem engraçadas. Gosto do texto filme. Por exemplo, a cena em que é repetida diversas vezes a informação que o pai morreu e que ele voltou a beber. Ou a cena mais engraçada, quando o suposto cinéfilo não sabe dizer um mísero filme que assistiu durante sua vida (Eu me vi muito nisso, por isso nem digo que gosto muito de filmes, para não ter que dar algum exemplo do que assisti. Memória realmente é um problema, haha).

No mais, a música tema do filme também é muito legal de escutar. Dá uma personalidade ao filme.

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