Nos poupem das suas conveniências

Outro dia eu conversava com uma amiga e ela me relatou a pressão que sofre por estar completando 30 anos de idade e ser solteira, sem namorado, sem uma relação estabelecida. As críticas que vem da família e até de algumas amigas, pois, conforme as regras do jogo, ela já deveria estar pensando em casar e ter filhos, ao invés de ainda estar sozinha. Assim, estes dedos em riste fazem dela quase uma fracassada na vida. Eu confesso que ainda me chama atenção quando as pessoas fazem este tipo de crítica, o que há de errado em ser solteira aos 30 anos de idade? Por que a imposição de uma trajetória supostamente feliz e ideal?

Todo mundo sabe que relações fracassadas se empilham no dia a dia, casais virtualmente felizes, vivem do seu disfarce de casal super legal e cumprem o seu papel num modelo pré-estabelecido de sociedade, entretanto, dentro de casa a realidade é outra… Mulheres se submetem a relacionamentos infelizes, as vezes abusivos ou que simplesmente não deram certo, sem culpados. Porém, elas seguem lá dentro daquela relação, até porque o que vão pensar delas, se vierem a se separar aos 32, 33 37? Na minha humilde opinião, pensem o que quiserem, mas entendam que cada um pode guiar sua vida, conforme lhe convém.

Sinceramente eu não vejo sentido nesta pressão social por um modelo de família pré-concebido, vivemos tempos de pluralidade e te digo o seguinte: E se ela quiser ser mãe solteira? E se ela quiser ser solteira e não ser mãe? E se ela simplesmente ainda não encontrou alguém com quem queira casar? Seja este alguém um homem ou uma mulher. Ok, todo mundo sabe que há o instinto materno, via de regra mulheres querem ter filhos e que conforme a medicina, quanto maior a idade da mulher, mais ela se expõe a uma gravidez de risco, mas esta gravidez tardia não pode ser tratada como uma sentença de fracasso, por favor! Quem aqui não conhece uma mulher que foi mãe aos 35, 37, 40 e está tudo bem?

Eu sempre desconfio de definições engessadas, das ditas verdades absolutas, principalmente porque cada um deve e pode encontrar seu caminho e não há um modelo certo e um errado para todos, entretanto, me arrisco a dizer que é sim um raciocínio ultrapassado este de pensar que uma mulher necessariamente precisa estar casada para ser feliz, que a mulher que não casar até os 30 anos de idade é uma fracassada. Sejamos francos: Quem disse que elas precisam de nós? (RIP Chorão!).

Assim, amigão, amigona, pare tudo o que você está fazendo, abra sua mente e reflita sobre as ideias que nos são impostas, sobre as coisas que “sempre foram assim e não há o que fazer”. Há inúmeras formas de felicidade além da sua ou da minha perspectiva de mundo, e, o mais importante, por favor, nos poupem das suas conveniências.
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