Sobre medo e coragem
Quando percebo meus medos, vejo o quanto corajoso eu sou.

Todos temos ou já tivemos medo.
Medo de ofender alguém, medo do que pensarão sobre nós, medo de dar o primeiro passo, medo de aceitar uma nova oportunidade, medo de encarar a verdade, medo de agir... Muitos desses medos estão ligados geralmente ao que não conhecemos sobre o fato, pois geralmente só temos medo daquilo que desconhecemos de verdade.
Quando criança, geralmente somos cercados pelo medo ou pela coragem. E não é querer colocar a culpa em alguém, mas o medo muitas vezes vem de berço.
“Não pule na cama que você vai cair. Não atravessa a rua que o carro vai te pegar. Você é pequeno pra mexer com faca. Não pode, não vá, não mexe, não.”
Geralmente quando somos criados dentro da cultura do medo, não possuimos a permissão para ousar, testar, nos envolver e aprender por nós mesmos o real significado de coragem. Se essas podas ocorrem na infância, quando nos tornamos adultos, ter coragem se torna muito mais difícil.
Por ser uma pessoa que lida constantemente com o medo (meu principal inimigo e alimento da minha ansiedade), aprendi a dar coragem as pessoas.
E ao dar coragem as pessoas, me tornei mais corajoso.
Você deve se perguntar, como uma pessoa medrosa consegue dar coragem para uma pessoa? Simples, tendo conciência dos meus medos. Bem, não é tão simples assim.
A partir desse ponto, percebo o que me gera ansiedade, o que me atormenta e os gatilhos necessários para construir minha coragem sobre minhas fraquesas.
Faço parte de uma equipe de mais de vinte colaboradores na empresa onde atuo e além disso, sou professor universitário. O público na qual convivo geralmente é muito jovem e vejo nos mesmos olhos que brilham de vontade de crescer e de dar seu melhor, o medo de ousar, de errar, de inovar.
Ensinar as pessoas a entender e enfrentar seus medos e ter mais coragem, é o primeiro passo para uma autoafirmação do quanto eu também posso. Palavras são ditas e escritas como hinos para uma autoafirmação do quando podemos ser melhores. No meu caso, esse texto também é uma libertação frente aos meus medos.
Medo e coragem transitam como figuras muito familiares em nossa vida. O medo, substantivo masculino, assume a figura do pai ausente, que bloqueia, envergonha, impossibilita, distancia. A coragem, substantivo feminino, é a representação de bravura, da fé, da moral forte perante o perigo e a todos os riscos que nos cercam. Mas, assim como um casal, assim como sombra e luz, yn yang, um precisa do outro para existir.
Quando vamos evoluindo como seres humanos, percebemos o quanto os medos nos tornam mais fortes, sabendo lidar com cada desafio que nos cerca.
Para vencer nossos medos, precisamos nos dar conta do quanto somos protagonistas de nossas vidas e que ninguém além de nós mesmos, pode resolver nossas missões interiores.
Com isso, tiramos nossa espada da baínha e nos assumimos como heróis que antes haviamos negado. Empunhamos a espada da coragem repassando tanta segurança a quem está em nossa volta, que lideramos de forma natural, heróica e humana.
Para alguém que possui medo, estar só frente a um problema pode ser torturante. Mas quando tomamos consciência de que teremos aliados em nossa jornada, mestres em nossos caminhos, entusiastas em nossas ações, ganhamos impulso.
Faz bem pensar que, não importa a situação, nunca estarei só. Todos os desafios que travo em minha jornada, nunca estou sozinho.
Tomar essa consciência, é adquirir autocontrole. Assim, o medo que afugenta, se torna combustível para coragem, nos deixando alertas e com nossos sentidos ligados.

Aqui vão algumas coisas que aprendi e gostaria de compartilhar:
1. Quando o medo é invizível
O medo não pode ser uma barreira em sua vida como pedras no meio do caminho. O medo precisa ser um farol que acende e te deixa atento para conseguir desviar dessas pedras.
Se você está em um mar de monstros que te impedem de seguir, tente se concentrar em todas as suas forças, inclusive em tudo que o cerca. Você precisa sempre treinar sua percepção de mundo, entender suas motivações e o quanto você está crescendo como ser-humano.
2. Quando o medo é um precipício
Se tenho medo do precipício, eu não crio grades para me proteger, crio pontes para me guiar ao ponto distante.
Quando falo em construir pontes, estou falando em me cercar de conhecimento, me planejar sobre tudo que pode me prejudicar e seguir em frente. O Medo não pode ser uma barreira que nos prende, mas sim, um farol de alerta.
3. Quando o medo é uma mordaça
Só consigo quebrar o medo com movimento. “Cabeça vazia, oficina do diabo”. Se caminho, crio caminhos e quanto mais esses caminhos são abertos, mas sei para onde vou.
Se pensarmos que água parada em um poço, estraga e ligarmos ao nosso corpo que é feito de 70% de água. Não podemos ficar parados. Precisamos sempre nos mover e nos desafiar.
4. Quando o medo é o futuro
E geralmente é. Uma coisa que me dá muita vontade de seguir é o fato de meu futuro não ser construido por mais ninguém do que por mim mesmo. Eu nunca estarei pronto e isso me motiva, não me frusta.
Sabemos que a ansiedade é o mal do século. Estar com a cabeça constantemente no futuro é se assumir ansioso. Geralmente, pessoas ansiosas tendem em seu estado mais saudável, serem excelentes planejadores. Foque no presente e em como você pode organizar esses acontecimentos para que eles não te consumam energia mental. Eu adoro escrever e listar o que preciso fazer, por exemplo.
5. Quando o medo é o não
Para algumas pessoas, desistir ou dizer não no trabalho, na família, é sinônimo de medo. Mas o importante é deixar claro os pontos de vista. Se decido não ir com aquele grupo, não fazer tal atividade, nem sempre significa estar com medo, mas sim, saber que aquilo não faz parte do meu propósito.
Dizer não, é o primeiro indício da coragem e isso pode confundir muita gente.
Precisamos das pessoas certas ao nosso lado
Diferente de se vitimar, se inferiorizar, o que quero tratar aqui é que para que possamos superar nossos medos, precisamos de pessoas que possam estar ao nosso lado para tal.
Culturalmente, estamos cercados de pessoas que nos amedrontam, nos desmotivam e que não sabem a forma ideal para encorajar cada tipo de pessoa.
Por isso, dentro da sua jornada, se pergunte. Quem são seus mentores? Quem são as pessoas que podem te guiar, aconselhar, criticar de forma positiva para que você vença seus medos.
Lembre-se: você é o protagonista de sua jornada. O medo é importante para que você tenha coragem e siga em frente. A luz só existe graças a escuridão. Fiz uma publicação recente em meu Instagram falando um pouco sobre isso.
Abraço e até a próxima.
