A redescoberta

d-.-b… Staind — Home

Nossa, quanto tempo! Eu na verdade pensei em voltar aqui algumas vezes, sem ALGUMAS VEZES, mas não sabia bem o que trazer. Digamos que eu esteja passando por uma crise existencial sem tamanho e proporção. Não me recordo de nenhum momento ter passado por algo assim.

O motivo dela eu vou deixar para uma próxima passagem por aqui, não espero que eu demore muito para voltar, afinal eu preciso conversar.

Uma pessoa, me "pediu" para escrever uma carta. Ela gosta de cartas, recebia muitas e tem todas guardadas, as vezes ainda para e repassa algumas, eu sei saber o que responder naquela conversa, disse que um dia eu escreveria uma carta e que esta iria ser de alguma forma diferente das suas antecessoras.

Depois de semanas pensando, encontrei o formato da carta. Um livro, sim um livro escrito a mão, com passos do nosso relacionamento que tem menos de um semestre.

A idéia era trazer a minha perspectiva dos nossos diálogos, os sentimentos incutidos em cada frase. O que para mim em teoria seria muito gostoso e proveitoso, conseguiria expor tudo o que eu penso sobre ela. Em teoria seria gostoso.

Demorei um pouco para começar, compro um Moleskine, escolho um lugar para começar a escrever e as lágrimas escorrem. Não era um bom momento para escrever sobre os meus sentimentos. Não era um bom momento para escrever sobre alguém que me fez me sentir descartável.

Mas eu me esforcei em começar, nossa eu não tenho controle da caneta, ela é muito mais sincera do que eu, meu Deus. Ela não para, eu posso dizer que fiquei com medo, muito medo. Assustado! Acho que assustado é a palavra mais certa.

A cada frase eu pensava comigo porque eu tinha que passar por aquilo, porque eu tinha que escrever, porque?! Porque???

Será que ela merece??? Já que somos só "amigos", que amigo quer algo assim? Fazer um amigo ficar angustiado? Quem quer isso para um ser humano?

Mas lá estava eu, decidi escrever então eu vou escrever. Começo, lágrimas, continuo, lágrimas, paro, para enxugar as lágrimas, respiro e continuo.

O mais engraçado é que eu me sinto bem, porque me sinto como se tivesse desabafando, mas triste ao mesmo tempo porque é um sentimento triste. Porque me sinto abandonado, o sentido de amizade, qual o sentido de amizade?

Escrevendo tenho me redescoberto, não me lembro de me sentir tão mal e tão bem por alguém. Não me lembro de querer alguém perto e ao mesmo longe, porque eu tenho um apreço e carinho grande e ao mesmo tempo um bode e cansaço enorme por essa pessoa.

É uma chuva de sentimentos e sensações, me lembra o Ratatouille, quando o mini chefe vai explicar sobre as sensações do paladar. Me sinto do mesmo jeito, inclusive imagino os fogos de artifício e suas cores atrás de mim.

Mas tenho me redescoberto, sim tenho me redescoberto. A um tempo atrás eu me vi em um momento em que sentimentalmente eu tinha me esgotado, tive um relacionamento abusivo de todos os lados e que acabou comigo. Quando eu achei que estava pronto para dar um passo a frente, me vi no meio de outros relacionamentos cansados, dois para ser mais preciso.

Resolvi ficar de boas e curtir a minha "falta" de sentimentalismo, nos últimos dias eu só descobri como isso me fez mal. Muito mal! Porque todos esses sentimentos acumularam sem serem expostos.

Nas ultimas semanas, descobri que qualquer motivo é motivo para explodir, isso é ruim. Aos poucos fui perdendo o controle do que está acontecendo e o motivo disso?! Acredito que a ausência de sentimentalismo quando necessário.

Vejo as coisas desmoronando na minha frente e com isso eu vou perdendo a linha e a paciência. De um jeito que eu nunca vi antes e por falta de experiência no assunto, me vejo cada vez pior. Não cada vez mais cansado e não vejo solução.

Sobre essa amiga minha, um relacionamento unilateral, onde é regado por um par de mãos. Todas as vezes que eu me afasto, eu me vejo sozinho. Nesse momento o que ela chama de amizade não é o que eu acredito ser amizade.

"Somos amigos", é a música de fundo das nossas conversas, mas o prato principal é "eu estou no meu momento, em uma fase da minha vida que é egoísta", a esqueci da entrada, começamos sempre com um carinho desenfreado, mas tem algo na salada que de repente faz ela dizer que "não quer mais".

A bebida um isso depende, quando queremos algo mais leve um suco de "te encontro depois da sua aula", quando ela quer algo mais forte "estou com saudades de falar com você" ou "estava com saudades".

A sobremesa não tivemos tantas como queria, mas foram sempre gostosas, mas hoje em dia quando uma coisa ela pensa em outra e não nos entendemos, diversas conversas tem um tom de não quero mais e eu fico me perguntando o que eu fiz de errado.

Na verdade só existe uma e essa eu vou deixar para falar depois, é o mesmo motivo do segundo parágrafo. Mas me digam?! O que vocês fariam nesse momento?

Qual a solução para esse esgotamento?

Essa Angústia?

Qual o sentido de amizade?

Se estou apaixonado? Não, não me vejo apaixonado. Mas toda a admiração que eu tinha, apreço e cuidado. Viraram descaso e eu estou cansado. A ponto de não conseguir conversar com a pessoa com um sorriso no rosto, eu nunca achei que isso chegaria. Logo eu que gosto de falar com todo mundo, chegar a um ponto de não querer falar com uma pessoa. Nossa!

Mas o problema é que eu gostava de falar com ela, mas não parece que ela gosta tanto de falar comigo quanto ela disse.

d-.-b… Lenny Kravitz — Ooo Baby Baby!

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