SPQR

“Estamos vivendo uma situação que desmoraliza o poder Executivo e avacalha o Legislativo” (Jorge Viana, PT-AC)

Eu sei que está difícil ter esperanças, eu sei que a gente olha pra todos os lados e só vê mais merda, mais escândalos, mais corrupção, mas é justamente isso que eles querem que vejamos e nessa realidade adoecida pelo consumo e pelo capital precisamos, talvez como nunca antes na história humana, de sonhos.

[Vou tentar ser um pouco mais linear dessa vez, mas não prometo nada]

“Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação” (SNOW, 2017)
Cunha vezes Aécio noves fora: pó. (Thiago Barros, 2017)

Como eu dizia a uma amiga essa semana no twitter, o Aécio não está preso (ainda) porque, apesar de vivermos em um Estado de Exceção*, algumas partes da lei e do bom senso ainda se aplicam (quando de interesse de alguém) e, por mais que todo mundo saiba a essa altura que ele é bandido dos vera, prender um Senador da República é algo muito grave.

É sério, desde Roma que ser senador era algo importante.

Não é à toa que o senado é composto por número igual de representantes de cada estado, ele deve ser o peso que equilibra a balança do poder central, sem que ninguém tenha mais peso que os outros como ocorre na câmara.

Recordando-nos do processo de impeachment da Presidente Dilma Roussef foi notória e gritante a diferença de perfil entre as casas do legislativo. Enquanto na câmara vimos aquele espetáculo deplorável, com bandeiras amarradas ao pescoço, confete, gritos e brados de “tchau querida”, homenagens a criminosos e torturadores, tudo isso no maior clima de futebol da Globo domingo a tarde, no Senado o cenário sempre foi mais austero, são políticos mais experientes, sabem como “se portar em público”.

Como vota, deputado? (Cunha, ladrão que roubou meu coração)
“Sem querer ser deselegante, não vou permitir que se repita no Senado o que aconteceu na Câmara. Não irei transformar isso aqui numa feira dos passarinhos. Peço ao deputados que guardem os celulares e permaneçam calados” (Renan Calheiros durante o julgamento do Impeachment)

Repito, ser Senador da República não é qualquer coisa.

Entretanto quando passamos a reparar o nível dos indiciamentos e dos crimes que tem sido expostos dia após dia, passamos a nos dar conta que a realidade, é bastante diferente.

O primeiro político de alto escalão cassado e preso nessa história toda foi Delcídio do Amaral,
Um senador,
O dono do helicóptero do “pó pô pó”, Zezé Perrela,
Um senador,
O saquinho transparente de açúcar foi filmado
No Senado

O senado é a institucionalização de uma coisa que sempre existiu na sociedade humana, e que sempre foi a mais respeitada das instituições, os anciãos e anciãs da tribo, portadores da sabedoria antiga, experientes e capazes de guiar os jovens líderes tribais. Até o Vaticano tem no colégio cardinalício uma espécie de Senado.

É alarmante, aliás, deveria ser, que numa instituição histórica estejam os mais altos escalões do crime organizado, da compra e venda de influência, da ganância desenfreada, do descaso com a coisa pública e com a vida do povo que é em si a razão de existir do Estado, aliás, deveria ser.

Não que o Senado em si seja o maior culpado pela situação em que vivemos (alguém sabe qual é?), mas ele peca mais que os outros porque deveria ser exemplo.

Como disse Bernardo Cabral:

“O Senado tem de deixar de ser catedral na frente e bordel nos fundos”

*https://medium.com/@DiGreg/estado-de-exce%C3%A7%C3%A3o-991b6427d27c

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