A Pesca, e a Lagoa


Um dos principais pontos turísticos da paradisíaca ilha de Florianópolis, em Santa Catarina é a Lagoa da Conceição, famosa entre nativos e turistas a região vem crescendo em um ritmo desfreado.

Ouvindo os pescadores que costumam se reunir na tradicional ponte e às margens de toda a orla das Rendeiras, nos deparamos com um problema preocupante, velho conhecido da região: a poluição no local cresce assustadoramente, fazendo cada vez mais precário o cenário para quem vive da pesca no local.


Hilton, morador e pescador da Lagoa há mais de 60 anos, expõe um cenário bastante trágico. Alegando despreocupação e falta de fiscalização dos órgãos responsáveis, o nativo pontua vários problemas que estariam agravando a situação de um dos nossos queridos cartões postais.

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Como tradição passada de geração em geração, a pesca é presente na vida de muitos moradores, como o Luis Claudio. O manezinho diz que hoje pratica a pesca esportiva, mas não consegue imaginar sua vida sem esta atividade.

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Tarrafas na Lagoa da Conceição

o maior vilão, citada por todos os entrevistados, foi a poluição. No entanto, apesar da frustação com a realidade, eles mantêm esperança em providências para a melhoria da qualidade da água e da vida marinha no local.

Mas Percival, tradicional pescador da região lembra a mudança deve partir de nós. Não só esperar a atitude dos órgãos responsáveis, mas conscientizar os moradores também é importante.

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Luana Rebeca P. M. Taiani — Oceanógrafa, graduada na UNIVALI | Itajaí-SC

Ouvindo a oceanógrafa Luana Rebeca, moradora da ilha da magia e que conhece bem a região, esclarecemos alguns pontos levantados pelos moradores, e confirmamos que o local pede providências imediatas para a recuperação da saúde desse ecossistema.

A CASAN, um dos pontos mencionados, possui pontos de lançamento de efluentes na Lagoa da Conceição, mas possui estação de tratamento, e os lança apenas após o tratamento. Não é o efluente da Casan, portanto, o responsável pelo aumento da poluição, mas a falta de cobertura da rede de tratamento que afeta indiretamente esse quadro. Por que indiretamente? Porque na falta de cobertura, alguns moradores que não querem/podem arcar com os custos da destinação correta de seus efluentes (por exemplo, contruir sistema de fossa séptica e pagar serviços periódicos dos chamados “limpa-fossa”), os ligam clandestinamente no sistema de drenagem pluvial. Lançam esgotos sem qualquer tratamento, diretamente numa Lagoa de circulação restrita e baixa taxa de renovação das águas.

“Num primeiro momento, os dejetos humanos funcionam tal como adubo, e proporcionam crescimento em massa de macro e microalgas. O balanço do sistema é alterado, pois não há organismos suficiente para se alimentar de toda essa alga, que acaba virando também matéria orgânica e indo para o fundo. Essa matéria orgânica (de dejetos humanos e de algas), durante o processo de decomposição, consomem oxigênio acidificam o ambiente, afetando também a população de peixes e crustáceos.”

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A expectativa dos pescadores gira em torno de um real acompanhamento da situação pelos orgãos responsáveis.

A CASAN já possui projetos de ampliação da rede de cobertura de tratamento de esgoto, que deve começar nos próximos anos. Enquanto a cavalaria não chega, é interessante ouvir a voz da experiência, e seguir o conselho do seu Percival. A conscientização dos moradores e o primeiro e mais importante passo a ser dado em direção à recuperação deste nosso cartão postal.