O Rilke é de uma beleza que dá gosto. É uma pena que no fim o interlocutor dele parece tomar a mesma decisão que a minha. (Vi agora que você já escreveu um texto com o título inspirado no livro, mas não encontrei seu texto de ontem).
No meu entender, morrer para o Rilke significaria o não ser pleno, não realizado, seria como existir, ao invés de viver. Mais ou menos como você descreveu: “o não escrever te leva para perto dessa sobrevivência”. Seria habitar um “puxadinho” da vida e não viver plenamente.
E a verdade é que no meu hiato eu não tive dilemas ou problemas em não escrever. Não era um desejo reprimido, entende? Por isso não considero que eu tenha “morrido” nesse período. Mas como a Thaís me abriu os olhos em um comentário aqui, mesmo não escrevendo eu estava produzindo. Então estava vivo, afinal.
Quanto ao ourives, considero que são os artesões do ouro. As pessoas que conseguem, constantemente, produzir coisas de qualidade e conteúdo irrepreensíveis. Eu estou ainda esculpindo umas peças de xadrez em parede de presídio. Mas estou feliz, consciente do trabalho e querendo evoluir, que acho que é o que realmente importa.
“Quero tudo do que escrevo”. Legal demais isso. É mais do que suficiente para saber o que você quer dela.
Abração Anderson!
