Oi Thaís, a falação aqui é mais do que bem vinda. O meu texto já foi uma falação sem tamanho que até admiro você e outros terem encarado até o fim.
Agora que você citou percebo que escrevi sim alguma coisa nesses anos de hiato. Foram coisas fragmentadas, mais opinativas e retóricas de facebook, mas não deixavam de ser exercícios de escrita. Também pelo seu comentário percebo que talvez tenha errado a mão no drama do “morrer”, mas o texto do Rilke realmente me trouxe bastante reflexão sobre esse monstrengo interior devorador de entranhas que é o desejo de escrever. E percebo que, sim, define uma parte de quem eu sou (você tem razão), mas não define minhas escolhas de vida. Sempre vou ter o sonho de escrever, mas não de ser escritor (falando como carreira ou como desejo de publicação no papel). Era mais esse ponto que eu pretendia focar.
Tomar essa decisão foi um exercício pessoal, de analisar meus desejos e aspirações e chegar a uma conclusão sobre eles. E expor isso dessa forma deve ser uma forma de botar um marco nessa escolha, creio eu.
Acho que esse sentimento de vergonha x desejo de melhora que você citou impulsiona bastante a gente mesmo. Só assim pra podermos almejar melhorar e crescer. Li um conto aqui uma vez que me fez morrer de vergonha dos que eu havia escrito. Me fez até retirar um texto meu do ar para reescrevê-lo mais pra frente (havia outro ponto que me incomodava também no texto, mas não vem ao caso).
Gosto muito do contraste de qualidade aqui mesmo no Medium. Faz a gente perceber que é possível um dia atingir um nível elevado sendo um “mortal”, não profissional.
Estou apanhando bastante também com a falta de paciência para revisar e avaliar com calma o que produzo antes de postar. Mesmo que eu sempre peça opinião para duas pessoas (meus leitores beta, hahaha) antes de tornar público qualquer texto, às vezes atropelo o procedimento que eu mesmo instruí pela ânsia de dar à luz ao texto. Chamar de estilo é uma boa sacada pros nossos deslizes.
Acho legal essa troca de opiniões e visões da escrita de cada um aqui no Medium. Abre os meus olhos para a semelhança tremenda que há entre nós e entre nossos relacionamentos com a escrita.E também para os diferentes ângulos que avaliamos estes relacionamentos e dilemas. E obrigado por me fazer enxergar algumas coisas que estavam sob a superfície.
Abraços!
