Querida moça,
Ah, se você soubesse a falta que você me faz. Hoje minha pessoa reclama sozinho, insosso, são 72,8 kg e 1,79 metros de pura solidão. Confesso que "não te amo", não como antigamente. Mas é que sobra tanta falta desde que você mudou... O celular me olha apreensivo, na esperança que eu conte-lhe alguma história, comendo Fini no caminho, ouvindo você falar da escola e dos cursos, te encarando e sendo encarado por esses seus olhos castanhos. Era como se eu perguntasse como fui capaz de deixar que as borboletas escapassem. Gritei para as paredes que tudo que eu mais queria agora era receber seu abraço, jogar conversa fora, ouvir você dizer que me ama, e me esquecer que existe um mundo lá fora, e que existe outro mundo dentro de você, o qual eu não estou apto a habitar.
Minha querida moça, à madrugada é solitária, sabia? Nada era melhor que passar meu tempo conversando com você, para alegrar minhas madrugadas. Durante o dia, te caço em meio a tanta gente. Sua (maldita ou bendita) presença ainda vaga em minha mente. E dá vontade de te ligar (ou te chamar no Whatsapp, mundo moderno, né?). Eu poderia ligar pra dizer que só sua presença basta. Poderia te contar que fico completamente alucinado quando você me abraça (ou sorri), ou que temos muitas atividades em "nosso script" para cumprir. Eu poderia te pedir pra pensar mais duas vezes. Não a culpo por nada, se teve alguém que teve chance, mas deixou-a ir, esse alguém sou eu mesmo (ingenuidade e arrogância me custaram isso).
É moça, tenho que admitir não está fácil. Onde está você, que não aqui embaralhando meus pensamentos? Preciso te contar que meio que gosto de você, e que tenho medo de lembrar 22 de Setembro. Mas faz parte, eu preciso sentir sua ausência. Nossas poltronas continuam reservadas no cinema. Por quanto tempo, eu não sei. Espero que seja meu último ano escolar, pra nunca mais ter de passar em frente daquela escola, e ver nossas salas, onde tudo começou, onde me apaixo... (mais do que já estava) por esse seu riso, por seus defeitos que passei amar cada um, um por um. Você é um caos, mas e daí? Te aceitei, aceitei de me joguei de braços abertos. E por falar em braços, como eu queria ter a possibilidade de repousar (sonhar é de graça) neles essa madrugada...
Sinto falta das gargalhadas (sério que eu estou usando a palavra gargalhada?) que me doíam até o último músculo da barriga e que me faziam esquecer tudo ao meu redor, e só me lembrar você, Mas agora, moça, é sua vez de ir. Chegamos na sua estação e é hora de reinventarmos. Vá e leve contigo células do meu músculo estriado cardíaco (coração, pra simplificar). Que ele sempre te bombeie felicidade e sorrisos, mesmo que não sejam pra mim. Que não perca o brilho dos seus olhos que eu tanto enxergo, e que seus dias não se cruzem com os meus (ou cruzem, sei lá). E se algum dia se lembrar de um moço, aquele da cor de "pecado" e pouca paciência, lembre-se também que ele se tornou insuportavelmente a pessoa que mais preocupa e torce para que você seja a pessoa mais feliz desse mundo. Com ou sem ele. Você de certo modo, mudou muito, hoje eu já não posso mais atender seus desejos, anseios, etc. Vá com Deus, Mrs. {…} Conte sempre comigo.