Fazer Tudo versus Conectar Tudo

Seu core business no ecossistema, foque naquilo que você é bom
No filme “A Chegada”, Louise Banks é uma renomada linguista contratada para aprender e interagir com a linguagem dos extraterrestres. Em meio a incertezas, medos e inseguranças da população e dos militares que desejam atacar as naves extraterrestres, sua especialidade irá salvar o mundo.

Compreender o mundo dos negócios como um ecossistema é uma estratégia essencial para organizações que pretendem alavancar uma transformação digital e obter crescimento neste cenário atual de complexidade, velocidade e frequentes rupturas de negócios. O termo ecossistema, utilizado pela biologia para definir a relação entre os seres vivos e o meio ambiente em que vivem, foi emprestado para representar também as interações entres organizações, fornecedores, concorrentes, clientes e demais agentes na criação de valor.

Não é de hoje que as organizações perceberam que não possuem internamente todo o conhecimento e tecnologia necessários para continuar se transformando e inovando na velocidade que lhes confira condições de manter a alta competitividade. Esta consciência tem impulsionado muitas delas a se aproximar de novos parceiros para agregar na sua cadeia de valor.

No entanto, muitas organizações ainda perdem eficiência por não perceberem ou relutarem em aceitar que não conseguem manter sua realização e entrega em níveis ótimos por não terem o domínio e maturidade suficientes em todas as áreas necessárias para entregar seus resultado. Sem falar no gasto de energia necessário em executar e produzir elementos os quais não são o seu core business. Essas organizações abdicam tempo e esforço em seu core business na tentativa de “abraçar o mundo”. O nível de especialização e tecnologias necessários para entregar soluções ao mercado tem estimulado novas parcerias, com o intuito de “liberar” as organizações para se dedicarem somente ao seu core.

Algumas condições são importantes para atuar de forma relevante em um ecossistema. Bem como, estabelecer parcerias consistentes. Inicialmente, deve-se mapear e compreender os participantes desse universo, suas atuações e entregas de valor. Para isso, deve-se compreender o que a sua organização já faz hoje e, também, o que ela busca fazer. Além de entender para onde se quer chegar, é necessário vislumbrar quais parceiros podem te ajudar a se transformar e chegar até lá. Também é importante visualizar como seus clientes se beneficiam de geração de valor por esse ecossistema. Após a compreensão da dinâmica de trocas que ocorrem, é fundamental identificar qual papel a sua organização irá desempenhar de forma clara e efetiva. Deve-se considerar não apenas o que ela entrega de valor final, mas também qual o seu propósito maior no contexto em que está inserida. A partir deste ponto, é possível fazer o seguinte questionamento: “Precisamos dar conta de produzir e gerar internamente tudo o que é necessário para compor a nossa proposta e entrega de valor?”. Uma pergunta simples, mas de grande importância.

Outro elemento importante a ser considerado está na identificação dos diversos “papéis” de atuação de diversas organizações nos ecossistemas. E o papel mais proeminente são os chamados orquestradores. Eles atuam suportados por plataformas digitais que facilitam a interação, troca de valor, conhecimento e aprendizagem constante. Podemos citar um dos casos mais conhecidos de orquestração de um ecossistema. A Apple inovou o mercado em 2008 quando foi capaz de criar e integrar um amplo mercado de soluções que passam por dispositivos, aplicativos, entretenimento, ferramentas de produtividade e outros produtos derivados, sem mencionar todo o valor produzido a um ecossistema global de aplicativos, músicas e filmes. Se analisarmos esse caso, a Apple tinha condições, naquela época, de desenhar e desenvolver tudo dentro de casa. Ela tinha as capacidades necessárias para a criação de qualquer aplicativo a ser disponibilizado. No entanto, decidiu abrir para que um ecossistema composto por negócios de vários outros segmentos fizesse isso. Desta forma, ela estabeleceu relações ganha-ganha com uma gama enorme de organizações que viram no recém criado ecossistema uma grande oportunidade de negócio. E a Apple viu suas vendas de smatphones decolar.

Mas, para vislumbrar novos arranjos e ecossistemas não é necessário cruzar as fronteiras. No Brasil podemos perceber o aumento na criação e fortalecimento de ecossistemas interessantes. Por exemplo, das cervejas premium e artesanais e como a presença delas impulsionou o surgimento de uma série de negócios que amplificaram a visibilidade desse segmento e potencializaram o seu consumo. Surgiram as micro-cervejarias, as micro-esmalterias, escolas para cervejeiros e rotas de destinos turísticos com foco na apreciação deste produto. Assim, o ecossistema se fortalece à medida que novas relações surgem entre seus integrantes, conduzindo a geração de valor em relações de ganha-ganha.

Ainda que o termo “ecossistema” já esteja até virando moda, não podemos negar que é um bom termo para descrever como o universo de negócios passou a se organizar. Assim, compreendemos que, mais do que possuir ativos próprios, importa também a capacidade de alavancar capacidades, parcerias e, também, a habilidade para orquestrar relações no universo dos ecossistemas, identificando o que realmente deve ser feito “em casa” e o que é possível realizar através de parceiros de negócio. O avanço constante da tecnologia digital impulsiona mudanças críticas nos ecossistemas das organizações, tornando-os maiores, mais complexos e essenciais para a estratégia.

O líder moderno precisa de visão e compreensão dessa grande rede para “conectar os pontos” mais importantes à favor do seu cliente e de sua organização.

E a transformação digital perpassa por essa questão, pois sem a identificação e a compreensão da importância dos ecossistema de negócios, é pouco provável que a organização consiga implementar a transformação. E nessa escolha de parcerias é necessário curar ecossistemas que se alinhem ao seu propósito digital. Pode dizer que hoje, é muito melhor conectar tudo ao invés de tentar fazer tudo.


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“A Transformação Digital começa com você, não com tecnologia…”

Feito com ♥ por Richard Hechenbichler e contribuições de Gustavo Schmal, Mario Flores Neto, Leo Diniz Treulieb.

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