P&L = Valor para o Ecossistema

Acrescentando blocos de valor visando longo prazo e seu legado
No filme “O Dinheiro Nunca Dorme”, Jacob Moore é um jovem promissor no mundo dos investimentos e busca criar um fundo para o desenvolvimento de um projeto de fusão nuclear para a geração de energia limpa para o mundo. Porém é traído pelo perverso Gordon Gekko. Depois de uma trama e sumários esforços, Jacob consegue $100 milhões de dólares para o seu valioso investimento.

Você já pensou sobre qual é o propósito de uma organização? Qual seu papel principal? Seria o de gerar unicamente lucro através das suas vendas, seja qual for o custo para isso? Muitos já perceberam que não deveria ser esse o objetivo a perseguir, afinal não há negócio com este viés que perdurem por muito tempo na realidade dos mercados de hoje. Gradualmente, estamos constatando uma preocupação para além dos lucros por parte das organizações. Um movimento na busca de geração de valor à ecossistemas.

O lucro deve ser o resultado de uma atuação guiada pelo propósito de uma forma eficiente. Ter somente o lucro como propósito já não inspira ou energiza as pessoas e não atrai profissionais com a devida vocação e engajamento.

Conforme John Mackey e Raj Sisodia, autores da obra “Capitalismo Consciente — Como Liberar o Espírito Heroico Dos Negócios”, negócios não devem estar relacionados somente com fazer o máximo de dinheiro possível, mas sim com a criação de valor para as partes interessadas. E valor não significa exclusivamente dinheiro. E os interessados não são somente os acionistas.

Segundo os autores, o chamado Capitalismo Consciente está alicerçado por quatro princípios:

Propósito maior: atuando com propósito maior, as organizações vão além da simples geração e maximização do lucro e criam impacto positivo para todos os seus stakeholders. O propósito e os valores constituem o núcleo de uma organização consciente.

Integração de stakeholders: stakeholders são todos os atores que impactam ou são impactadas por uma organização e são todos igualmente importantes e estão conectadas por um senso de propósito e valores compartilhados. Assim, busca-se a relação de “ganha-ganha”, preservando a harmonia e a integração entre as partes.

Liderança consciente: é imprescindível a atuação de líderes conscientes, com níveis de inteligência analítica, emocional e espiritual, de forma que sejam capazes de refletir sobre o negócio e conduzi-lo de forma sofisticada.

Cultura e gestão conscientes: fatores fundamentais para a prática do Capitalismo Consciente, deve-se garantir a força e a estabilidade necessárias para a preservação do propósito maior da organização. Confiança, responsabilidade, transparência, crescimento pessoal, são algumas das marcas que movem as organizações com propósitos conscientes.

Ainda que diversas organizações estejam interessadas em alinhar suas ações a propósitos mais abrangentes e comprometidos com a entrega de valor ao ecossistema, outras, no entanto, ainda praticam apenas o greenwashing, contratando agências de publicidade para criar slogans que tentam refletir eventuais propósitos, que ficam restritos a conceitos publicitários, reféns de uma ou outra ação isolada.

O propósito precisa ser verdadeiramente profundo e autêntico e capaz de gerar valor para todos os stakeholders, para diferentes tipos de líderes e de culturas. Enquanto que os retornos financeiros são apenas consequências do alcance destes objetivos. Este movimento encontra diversas vertentes relacionadas. No marketing, por exemplo, podemos ver o “Marketing 3.0”, no qual Kotler ressalta a importância das organização se concentrarem na entrega da sua proposta de valor em primeiro lugar, incluindo este objetivo em sua missão, visão e valores. Se apresentam 3 elementos-chave: o marketing colaborativo, baseado no fato de que o consumidor utiliza a internet como meio para disseminar valores; marketing cultural, com a globalização impulsionando as nações em termos socioeconômicos e culturais; e o marketing espiritual, apontando que os consumidores estão em busca de elementos que satisfaçam a sua dimensão espiritual.

Os avanços da tecnologias digitais permitiu um nível de conexão e relacionamento entre pares nunca visto antes. Assim, é possível promover valor em diversos contextos, diante dos stakeholders, alinhando cada vez mais as interações e as entregas ao propósito da organização. Contudo, para que isso realmente ocorra, é necessário a mudança do paradigma sob o qual a maioria das organizações convive: a busca única e incessante pelo lucro.

Devemos também guiar essas ações de valor sob o aspecto do 3BL, o “Triple Bottom Line”. Um framework utilizado por várias organizações para avaliar a sua performance em uma perspectiva mais abrangente na criação de valor pelos negócios. O 3BL introduz o conceito de contabilidade do custo total, incluindo os aspectos sociais, econômicos e ecológicos para avaliação de resultados na produção de valor. Inclui a responsabilidade de todos os stakeholders integrados na cadeia de valor, seja na criação, produção, influência e ações indiretas. Podemos ver como organizações que não respondem adequadamente ao 3BL estão sendo penalizadas pelos seus consumidores, mídia ou governos devido a casos de violência, abuso, poluição e segurança aos dados.

EEm uma jornada de transformação digital, devemos sempre ponderar como se conectar ao mercado e as pessoas e criar propósitos duradouros que permitam a geração de economias inteligentes, coerentes e limpas. Ao não seguir essa tendência, aumentamos os riscos para os negócios e para os stakeholders. Temos que ser conscientes e cuidadosos na produção de valor e curar criteriosamente a cadeia de valor.


O Digital Hive _Favo de Mel 64-bits tem mais outros 63 favos de tendências e práticas de transformação digital. Então visite o Digital Hive, e descubra mais conhecimentos e experiências.

Este conteúdo é vivo, e terá alterações, mudanças e incrementos graças a sua contribuição, faça os seus comentários, eles são muito valiosos para ficarem só aí na sua cabeça. Agradecemos sua participação desde já.

“A Transformação Digital começa com você, não com tecnologia…”

Feito com ♥ por Richard Hechenbichler e contribuições de Gustavo Schmal, Mario Flores Neto, Leo Diniz Treulieb.

© digifly.me 2017. Todos os direitos reservados