DENGUE: Vale do Taquari livre do vírus

A chegada da primavera marca o retorno dos dias quentes e o aumento do volume de chuvas no país, e traz também outra velha conhecida: a dengue. Os casos da doença, transmitida pelo mosquito Aedes Aegypti, começam a se multiplicar devido a uma variedade de proliferação que é inseto nesta época do ano.

Segundo pesquisa do Instituto Oswaldo Cruz (IOC / Fiocruz), o Aedes Aegypti é originário do Egito, na África, e tem espalhado pelo planeta, principalmente nas regiões tropicais, desde o século XVI.

A primeira epidemia de dengue em solo americano começou no Peru e apresentou surtos na região do Caribe, Estados Unidos, Colômbia e Venezuela. No Brasil, os primeiros relatos de casos datam entre os séculos XIX e XX em Curitiba, no Paraná e em Niterói, no Rio de Janeiro. A primeira epidemia em solo brasileiro foi registrada e documentada clínica e laboratorialmente entre 1981 e 1982, em Boa Vista, no Paraná.

O Brasil chegou a erradicar o mosquito durante um breve período em 1955, mas a falta de cuidados fez com que o vetor retornasse ainda na década de 1960. Hoje, o Aedes Aegypti é encontrado em todos os estados brasileiros e a dengue vem fazendo vítimas de forma contínua, ano após ano.

As notificações no estado do Rio Grande do Sul reduziram em 2017 em relação ao ano anterior, segundo o Boletim Epidemiológico da Secretaria Estadual da Saúde (SES). Até junho, nenhum caso autóctone havia sido registrado no estado. Apenas 16 casos confirmados contraídos em outras regiões do país.

A cidade de Lajeado é considerada infestada pelo mosquito. Em 2013, quando ocorreu o maior surto de dengue no Brasil, com aproximadamente 2 milhões de casos notificados, a Vigilância Sanitária encontrou cinco focos de reprodução do Aedes Aegypti no município. Desde abril de 2016, não há registro de focos, mas possui pontos de reprodução de outros mosquitos com hábitos semelhantes ao Aedes.

Em Estrela, o mosquito foi encontrado pela primeira vez em dezembro de 2015, depois, apareceu novamente em fevereiro e março de 2016. Em abril do mesmo ano, o município foi considerado infestado. A partir de então, com a presença do mosquito, passa a haver risco do inseto picar alguém que viajou e está doente, explica a enfermeira da equipe de Vigilância em Saúde, Carmen Hentschke. “O mosquito que picou uma pessoa doente se contamina e, ao picar outra pessoa, transmite a doença. ”

Segundo Carmen, a infestação do Aedes Aegypti no município ainda é recente, e faz com que a contaminação dos mosquitos seja pequena ou nula. “Os agentes de saúde e de endemias realizam visitas domiciliares de vistoria e orientação à comunidade e também vistorias quinzenais em pontos estratégicos, como cemitérios, borracharias, postos de lavagem, depósitos de material de construção a céu aberto, entre outros que possam ter focos”, revela.

Nestes locais, os agentes coletam as larvas encontradas e as encaminham ao laboratório para identificar a espécie. Além disso, o trabalho de prevenção é realizado em escolas durante o ano letivo e em ações em eventos, por meio de entrega de material informativo. Ela relata que não há casos de pessoas que contraíram dengue em Estrela. “As pessoas viajam muito e podem retornar com a doença”, comenta.

Carmen diz que a comunidade pode e deve colaborar para prevenir a proliferação dos mosquitos destruindo possíveis criadouros. “É importante que elimine os locais com água parada e recipientes que possam acumular água da chuva, como pneus, latas, garrafas, copos, baldes; cubra adequadamente reservatórios de água, descarte adequadamente o lixo, mantenham as caixas d’água com tampa; coloque areia nos pratinhos das plantas; lave semanalmente, com escova e sabão, tanques para armazenar água, bebedouros dos animais; e mantenha as calhas limpas. ”

A enfermeira alerta que é suspeito de dengue todo paciente que apresenta febre, com duração máxima de sete dias, acompanhada de pelo menos dois dos sinais ou sintomas como dor de cabeça, dor atrás dos olhos, náuseas e vômitos.

O médico Guilherme de Campos Domingues, de Lajeado, que atua na área de infecção hospitalar, e também como professor de medicina na Universidade do Vale do Taquari — Univates fala sobre o vírus:

Uma pesquisa aplicada a 50 pessoas de diversas cidades revelou o nível de conhecimento sobre a dengue. A população responde o quanto se preocupa e sabe sobre este vilão que além da Dengue transmite também Chikungunya e Zika Vírus.

Entre os 50 entrevistados, todos relataram nunca contraído a dengue, mas a maioria — 32 deles — declararam acreditar que a doença atinge e faz vítimas na região. Apenas sete pessoas afirmam conhecer alguém que já sofreu com a doença e destes, apenas três casos ocorreram na região.

Para medir o alcance do trabalho da administração municipal para combater a dengue também foi questionado se estes já receberam a visita de agentes de saúde ou profissionais trazendo alguma informação sobre a doença. Entre os 50, 31 entrevistados relataram receber suporte do setor público.

Na hora de agir contra a dengue, os entrevistados demonstraram estar cientes das ações necessárias e relataram que as principais medidas tomadas são os cuidados com o lixo, não deixar acumular água em pneus velhos, cortar a grama regularmente, preencher os vasos ou pratos com plantas de areia e atentar para os cuidados com piscinas, fontes decorativas e plantas que possam acumular água em seu interior. Das práticas menos lembradas estão a limpeza regular das calhas e o uso de algum químico para prevenir\eliminar o mosquito.

Sobre a principal fonte de informação sobre a Dengue, a pesquisa demonstrou que a maioria dos entrevistados (44 pessoas) acompanha casos e aprende como se prevenir através da televisão. A internet é a segunda maior fonte de informação (30 pessoas), seguida do jornal impresso (23 pessoas), do rádio (17 pessoas), ações da administração municipal (13 pessoas) e do agente de saúde (12 pessoas).

Lajeado instituiu em 2014, uma lei municipal de combate e prevenção a Dengue. Dando início ao Programa Municipal de Combate e Prevenção a Dengue, coordenado pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesa). Desde então, a Sesa mantém um serviço de esclarecimento e de formas de prevenção.

Atitudes que fazem a diferença

O servidor público Daniel Pedrini acredita que ações preventivas são importantes e devem partir de cada um. “Aqui em casa temos um pátio grande, com bastante plantas, grama e pontos que poderiam ser focos de proliferação, caso não tomássemos alguns cuidados”, diz. Em sua residência, mantém a grama aparada e tem o cuidado para não deixar objetos que possam acumular água pelo pátio.

Com flores, Pedrini também tem um cuidado especial. Os vasos de flores são apoiados em pedras para não dar chance da água acumular nos pratos. As bromélias precisam de atenção: ele coloca casca de banana para aumentar a acidez da água que ocasionalmente se acumula. A pratica evita que as larvas se desenvolvam.

Os vasos de plantas não possuem pratos para não acumular água.
Pedrini coloca casca de banana nas bromélias para aumentar a acidez da água que ocasionalmente se acumula, o que evita que as larvas se desenvolvam.
O comedouro dos passarinhos possui furos para que a água escoe e não fique acumulada

A enfermeira Carmen atenta para algumas curiosidades sobre o mosquito e a doença:

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