O peso do ar livre
Pela primeira vez, escrevo este texto em um espaço completamente aberto. A sensação do vento, naturalmente sob medida, é maravilhosa. Talvez nem tanto quanto o clima agora… mas sabe de uma coisa? Este espaço me permitiu ver que não há nada que não seja curado.
São muitas crianças espalhadas, sem se preocupar com o amanhã, sem terem razões para ficarem tristes pelo simples fato de estarem em um momento de distração. Os mais velhos jogam futebol na quadra ao lado, e permitem-se dividir este momento em conjunto. Como um.
Talvez não esteja sentindo esta unidade hoje com as pessoas que estejam comigo. Mas, olhando para as crianças ao lado, percebo que não faz sentido estar preocupado com isso, pois, como nas partidas de futebol, faltas acontecem mas, no fim, todos estão unidos novamente.
A gente aprende a lidar com as situações de maneira defensiva. No fundo, como animais, o instinto te traz determinadas posturas que não são as melhores para resolver as situações. No fim, como seres humanos, absorvemos aquela situação e aprendemos a lidar quando próximas vierem. Posso dizer que aprendo a cada segundo, e aprendi demais com todo esse ar de hoje.
Sei que é um momento de falta, sei que vai passar. Talvez estivesse duvidado em algum momento de que são “dos meus", mas os ventos me fizeram enxergar que estava errado. Bom, sabe? Agora é só esperar o jogo acabar e os abraços de fim de partida acontecerem, para que voltemos a ser apenas um.
Queria poder mostrar a lua neste momento. Contrariando todas as expectativas, o dia está lindo e aberto. E é assim que essa história vai continuar: contrariando as anteriores e se mantendo cada vez mais unidas, passo a passo.. E quem sabe aprendemos um pouco mais com as crianças desse mundão.
