A sexualidade, o sexo e a falta de naturalidade

Não sei exatamente qual é o problema com o sexo. 
Sim, sexo.
A palavra assusta? Leia de novo! 
Pronuncie devagar. 
Soletre. 
S-E-X-O. 
É uma prática, é um ato, é uma situação, é uma consequência, é uma causa. É sexo. 
Qual o real problema com o sexo que faz muita gente infamar qualquer simples menção sexual? Que faz tornar a sedução, a sensualidade e o erotismo coisas completamente indignas? Que faz proibir de falar na frente das crianças, ruborizar a mais falante das pessoas, silenciar qualquer roda de conversa descontraída por ter tocado no assunto?
O sexo faz parte de um processo, que pode ser o início ou o final de um momento. Ele é apenas um dos quadrantes da sexualidade, mas nem por isso deixa de ser um fato principiante que deve ser natural e cautelosamente tratado.
A sexualidade está presente no ser humano desde seu primeiro contato com a figura materna. 
E a paterna. 
E os parentes secundários. 
E os objetos. 
E os brinquedos. 
E os sons. 
E as sensações. 
E os sentimentos. 
E o próprio ser. 
Sexualidade é tudo; sexualidade é toque, é beijo, é palavra, é afeto, é percepção. A sexualidade vive em nós e por ela vivemos. Ela nos move, nos liberta ou, somente, nos molda. A sexualidade pode estar ou não estar; e, mesmo não estando, já é algum jeito.
Das relações que formamos, eis que surge o contato. E então, a ligação. O interesse e o desejo vêm depois. E nisso a sexualidade é formada. O sexo é só um resultado consensual disso, e o espanto é inacreditável: o tabu do sexo bloqueia os indivíduos de se desenvolverem livremente. A (falsa) moralidade empregada com o sexo nos trava de uma forma que construímos conceitos sexuais como um negativo de fotos.
A solução pra isso? 
Falar! 
Escrever! 
Divulgar!
Onde já se viu divulgar sexo? Mas, sim, divulgar o sexo!
Tratar da sexualidade em geral como uma das pautas no café da tarde ou levá-la como “assunto do dia” nas aulas de qualquer disciplina escolar; tornar comum conhecer o próprio corpo, pois a anatomia em si é fascinante, e a mentalidade corporal também!; destruir barreiras sexistas e transformar a sexualidade também numa política para lutar por direitos; ensinar um indivíduo desde criança a gostar do seu corpo, seu cheiro, seu jeito, suas curvas… Para assim quem sabe passar a gostar mais do outro indivíduo também!

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